quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Valha-me Apolo

Apolo tem me faltado nos últimos tempos. Isso se justifica pelo fato de eu estar a mais de duas semanas sem nada postar aqui. Falta-me a inspiração, atribuída na Grécia Antiga a ele, Apolo, o deus de todas as boas qualidades que um ser humano pode ter, para unir as palavras conferindo a elas um sentido único e afastar a ambiguidade. Entretanto, nestes tempos estou mais propenso a encontrar múltiplos sentidos nas palavras para não deixar escapar uma piadinha sequer (de quem será a culpa, hein?).
Hoje penso "ainda bem que não vivo de escrever", mas fico temeroso de que isso atrapalhe o desenvolvimento das minhas letras. Quando era forçado a escrever, mesmo quando não gostava do assunto ou não concordava com a opinião que devia passar, não me era falho o ato da escrita. Na verdade, às vezes era, mas por ser forçado a produzir o texto, de vez em quando ainda fazia algumas coisas legais. Agora, meus relatos não passam de "viagens na maionese" ou viagens mesmo (a maioria delas para a minha cidade natal).
E para não fugir à regra, como tem muito tempo que eu não posto aqui, venho falar do meu fim de semana (prolongado por mim mesmo) em Formiga. Futiract foi ruim (pra mim). Fiz uma péssima atuação como goleiro e nós ainda perdemos o jogo. Tá... mas só isso que foi ruim mesmo, porque o resto foi até legal. Só que domingo eu pude perceber o quanto a minha turma está ficando cachacera (em todos os trocadilhos possíveis dessa palavra). Eu que nem bebi um gole sequer na festa tive de limpar dois dos cinco vômitos que lá encontramos e a traumática garrafa quebrada do Lalinho (o que me rendeu um belo corte na mão, devido ao caco que grudou no chão com a sobra da bebida que havia no frasco, e ninguém viu). Fiquei impressionado com monte de biras de cigarro que encontrei, o que me fez pensar ainda mais no trocadilho que fiz há pouco. Espero sinceramente não encontrar pontas de baseado na próxima limpeza que fizer, pois se isso acontecer vou prefirir andar com os cabaços otakus e jogadores de Pokémon...
Mas Apolo, que me faltara esses tempos, presenteou-me com a oportunidade de curtir o primeiro dia da Noite de Todas as Letras do Unifor-MG. Como ex-aluno do curso de Letras do Unifor-MG, posso dizer uma coisa: se eu saí mal-preparado para o mercado de trabalho ao fim do meu curso, tenho dó dos jovens que estão lá agora. Os trabalhos que vi apenas comprovaram a falta de capacidade dos alunos de letras daquela instituição para produzir material artístico. Muito me espantou o teatro escrito/adaptado da Suisâmela Samicida Sâmela. Nunca imaginei que ela pudesse escrever um texto com palavras tão nobres como as que ela usou (pena que ela cagou na obra utilizando palavrões como o que eu usei nesse parêntese. Tipo, eu penso assim: se é pra usar a linguagem coloquial não dá pra casar o texto com um vocabulário requintado. Ou um, ou outro, pô! E as aulas de linguística/teoria da literatura?).
Para fechar a noite, houve o lançamento do livro da mais nova escritora formiguense (e os leitores desse blog vão se impressionar caso conheçam a peça e não saibam do tal lançamento) Elizangela Rocha, a "editora-chefe da Revista 'a par' e coordenadora do projeto educacional 'Formigando' [pedagoga, né?]" como foi apresentada fechando a sua lista de cargos/adjetivos da mesma forma que o nosso jornalista/escritor/compositor/professor/entre muitos e demais outros cargos chefe de tempos passados costuma se apresentar. Massa foi que dessa vez ele não deu as caras e (pra variar) mandou o seu representante número um, apresentado como jornalista/escritor/professor/crítico literário (?) Flávio Roberto Pinto, conhecido apenas como "Flavinho" em tempos mais humildes. O título do livro explica exatamente como foi a "solenidade": "O Ilusório" (coitado do reitor que teve de ver tanta bobagem que até alunos do ensino médio seriam capazes de fazer melhor).
Contudo, tenho de dizer que o livro é até massa (sim, eu comprei um exemplar e ainda pedi autógrafo [até porque se fosse eu a viver tal situação ilusória {e eu ainda tenho esse sonho infantil tosco}, eu ficaria feliz se ela também o fizesse]). Apesar de eu não curtir essa vibe de escritores de poesia do modernismo (que banalizou a rima), tenho de admitir que as poesias da Elizangela são bem legais. Ela escreve bem, de alguma forma.
Isso aumentou ainda mais a minha vontade de escrever um livro. Mas isso seria assunto para um outro post, pois esse já está grande e pode afastar os leitores que conquistei. Acho que vou fazer uma oferenda a Apolo pedindo inspiração para escrever a minha própria história...

3 comentários:

Pepino Calhorda" disse...

rachei da parte "...o quanto a minha turma está ficando cachacera (em todos os trocadilhos possíveis dessa palavra)" kkkkk!

Lalinho disse...

Eu não pretendo me juntar a vibe Otaku, mas que eu vou reduzir meu teor alcoolico eu vou. Bebida liberada só em Futiract e Formaturas mesmo. Quanto ao livro, eu queria parar tudo pra escrever o meu, mas ta tenso... ano que vem vou pensar muito nisso.

gabriel disse...

Sério? Pontas de cigarro e bebida pra carai? No meio do povo do IC?

Nú, fiquei super orgulhoso agora.