06 Fevereiro, 2010

Kamigawa hurts

Quando penso no fim que tomaram minhas cartas do famoso card game Magic: The Gathering tenho todos os motivos para sim entrar em depressão. É um jogo muito bem elaborado que a cada ano vai ficando mais complexo e difícil de acompanhar, mas que marcou uma boa época da minha vida. O interessante nem eh o jogo entre si, mas as histórias criadas pelas cartas, que formam um mundo alternativo digno de um best-seller em vários volumes. Quando vejo as pessoas jogando sem conhecer a história dos personagens e sem mesclar os efeitos das cartas que produzem os combos invencíveis, sinto muito pesar. Mas gostaria de retratar uma das histórias mais bem elaboradas neste jogo (com a qual tenho me identificado um pouco ultimamente).
Quando Takeshi Konda decidiu obter aquilo que não lhe pertencia, ele acabou desencadeando uma guerra entre dois mundos. Porém, se aquilo que foi tomado não era da posse de Konda, de quem seria? Certamente, não da posse de O-Kagachi, o kami supremo que guarda o limite dos dois mundos. Aquilo que foi tomado tinha vida própria, capaz de tornar indestrutível tudo o que ela quisesse.
Konda queria ter para si a maravilha daquele poder encantador, sem ter reparado seus defeitos nem as consequências que aquilo poderia lhe trazer. Aquilo que foi tomado ofereceu a ele toda sua pureza para que criasse seu mundo perfeito. Mas Konda não esperava que O-Kagashi viria atrás daquilo que lhe pertencia de alguma forma. Ela, que queria pertencer a O-Kagashi, parou de ajudar Konda na construção de seu império, mas percebeu que o kami supremo já não era mais o mesmo, estava tomado pela fome e pelo desejo. Seria O-Kagashi o verdadeiro traidor de Kamigawa? Ou seria Konda, que imaginou um mundo indestrutível, perfeito demais para que os deuses o permitissem?
Aquela que foi tomada encontrou refúgio em Toshi Umezawa, que a levou até Michiko Konda, a quem pode se unir para acabar com a guerra entre os dois mundos. O-Kagashi não se importou de ter perdido seu maior tesouro e voltou para o mundo dos kamis depois de causar o maior estrago na terra de Konda, que, por sua vez, foi derrotado e banido do mundo que ele próprio havia criado. Aquela que foi tomada recompensou Toshi por resgatá-la e uniu-se a Michiko para proteger Kamigawa das ameaças que viriam mais tarde. Estará ela preparada para o que o futuro lhe reserva?
Quando se fala em card games, nem sempre os melhores decks são aqueles que contém cartas raras. Uma boa mistura de propriedades comuns com características marcantes de fator incomum pode construir o bom baralho do jogador. O desafio é encontrar o incomum onde há tanta coisa comum, pois as raridades não passam de uma lenda (e só podem ser usadas uma vez...).

03 Fevereiro, 2010

Coração sem cera

É preciso espremer o limão até conseguir tirar dele o seu supra-sumo, aquela parte que até arde ao entrar em contato com o paladar. Espremer até tirar-lhe o gosto mais azedo que acalma a alma. Gastou seu amor em palavras, mas não soube dizê-las. Restaram os pensamentos que não se vão.
Dói, machuca e, no entanto, não sangra. Feridas causadas há muito tempo se abrem tardiamente num efeito mágico. Cortes profundos deixam cicatrizes, porém sem derramar uma gota de sangue ou de lágrima. Os olhos ardem, mas não choram; não conseguem. Merece ela tais lágrimas? Não teria sido ela culpada? O pensamento ocidental a trai. Faltou a sinceridade, dona coração de cera.
Seu peito agora arde em conflitos, como se houvesse uma reviravolta nos órgãos. Entretanto, tudo está no seu devido lugar. De onde não deveria ter saído. O coração permanece, intacto, transparente, deixando-se ver o que há em seu interior, sem deixar transparecer a cera que agora derrete. O dela continua obscuro como a escuridão, envolto em sombras, escondido da luz que é capaz de remover as trevas.
Não há como lutar. Seu exército foi dizimado, ele não conseguiu vencer. O que lhe resta é lutar até que chegue o guerreiro capaz de batalhar por ele. Capaz de conquistar a vitória tão desejada, jamais conquistada. Capaz de tirar as trevas do coração que ele não conseguiu atingir. Capaz de tornar seu coração de cera numa bela escultura romana.

28 Janeiro, 2010

I got myxomatosis

Você pode escrever, se você consegue. Mas se você não consegue, você precisa. Precisa pelo menos para parar de pensar. Não adianta escutar uma música, não adianta ler outro texto, é preciso produzir o seu próprio. Não há liberdade fora da folha em branco. É o caminho que você escolheu. Letras se misturam na presença da cor. Volta ao nada, não dá seguimento. Prefere expelir o sentimento ignominioso. Volta, encontrou o seu fim. Certas coisas não funcionam.
O tempo passa quando quer passar. Às vezes, é preciso executar um salto para se acalmar. Pular, o mais próximo do voo que o ser humano pode experimentar com o próprio corpo. A sensação de ser puxado para baixo e cair, cair profundamente. A dor de uma queda mal absorvida. Uma dor doída e ao mesmo tempo prazerosa. A dor da queda abate qualquer um.
Salta no tempo através do papel. Salta no tempo com o auxílio das letras. Salta no tempo e permanece ileso. Mas seus possíveis danos recaem sobre o outro. Não é possível saltar de volta. Já está feito. Agora o tempo passa porque quer passar. Os sons se misturam. A concentração escapa. Vai para outros domínios. Não fica onde quer ficar. Mas o morro continua sempre no mesmo lugar.
Deve ele ir ao morro? Não sabe responder. O pensamento não sai. A folha permanece intacta. Palavras se misturam sem harmonia. A pergunta paira no ar e invade o papel. Tem início a infecção. Tenta fugir do vírus, mas é tarde demais, ele já o consumia. Não há escapatória, nem para onde escapar. Bloqueio. Necessidade. Precisa de um antídoto, mas a única coisa que tem é a folha; em branco; já infectada.
Deve ele ir ao morro? Lá talvez encontre a cura, ou então a paz; eterna. Seu cérebro metralha pensamentos, mas ele continua sem resposta. O fim que encontrara era o recomeço. Nada lhe resta a não ser investir de novo em sua caminhada. Carregando a infecção e seu papel; em branco.

25 Janeiro, 2010

Because you have not been paying attention

Trabalho é a única coisa que o ser humano desprovido dos meios de produção pode oferecer àquele que os detém. Isso o consome oito horas por dia, 40 horas por semana. Durante cinco dias, o homem só pensa em trabalhar para no final do mês ganhar o suado dinheiro que ele persegue. Persegue para pagar suas contas, para sobreviver sem precisar se abrigar nas asas da mãe.
Se não levarmos em consideração o fim-de-semana, as oito horas que o homem gasta com seu trabalho o fazem ter que descansar mais oito horas, empregadas num belo sono revigorante e super salutar. Restam-lhe oito horas diárias para viver. Contudo nessas oito horas ele precisa se deslocar para o trabalho e realizar suas refeições, ou pelo menos sua refeição-mor, o almoço necessário para qualquer ser vivo. Com isso, ele perde cerca de duas das oito horas que lhe restam, sobrando-lhe apenas seis horas de “vida”.
E ainda há quem procura nessas seis horas que lhe resta, encher a mente com projetos para tentar angariar mais dinheiro, pois as oito horas de trabalho que ele dedica não são suficientes para garantir o seu sustento. Dessa maneira, torna-se cada vez mais difícil conquistar os meios de produção.
Sobram as 48 horas do fim-de-semana para procurá-los. Mas onde encontrar? Na busca pelos meios de produção o homem se perde em outros caminhos, que o levam a achar outros valores essenciais ao ser como a amizade e o amor. Amizade e amor quando juntos formam a união perfeita. Um amor que se torna amizade jamais terá o mesmo sabor de uma amizade que se transforma em amor. Você pode se apaixonar por alguém que se declara para você, mas será muito mais legal se você for amigo dessa pessoa. Eu nunca fui bom com esas coisas (talvez seja por isso que ninguém nunca me disse...).
No meio do caminho, o homem passa a achar que a busca por essa fusão de virtudes é mais importante do que possuir os meios de produção. E se perde na procura por esse objeto intocável tal como Galahad atrás do Santo Graal. Dentre aqueles que o encontram, muitos, infelizmente, tomam o mesmo destino do herói das lendas inglesas e os que restam, perdem o interesse na outra busca, pois preferem viver nas horas que lhe restam a doçura proporcionada pelo seu esforço no encontro.
Não sei dizer qual das duas buscas tem mais valia, mas a escolha parte de cada um. Faça você a sua. O tempo não espera por ninguém.

23 Janeiro, 2010

Direito

Resolvi minha parada com o advogado que estava de férias. Enviei meus documentos e agora estou esperando ele protocolar o meu processo junto ao Tribunal Regional de Justiça. Espero que dê certo, 50% das minhas perspectivas para esse ano dependem disso. Enquanto isso continuarei minha luta para entrar no serviço público de outras maneiras. Vêm aí alguns oncursos e espero que eu passe em um deles, pelo menos para deixar na reserva caso a UFMG me elimine de uma vez.
Semana corrida. O trabalho tem se tornado cada vez mais estressante. A pressão só aumenta, entretanto, não é nem 74% do que eu sofri no ano passado. Já tenho grandes responsabilidades, por isso estou fugindo de ter grandes poderes (pelo menos por enquanto). Descobri que ainda não tenho muita habilidade para controlar poderes. Preciso aprender... Pelo menos uma coisa me alegra: Charizard is no more.
Fiquei um pouco surpreso com o sumiço do Bruno Dancing, que, de repente, decidiu ir para Divinópolis terminar seu artigo phoderoso em inglês. Espero que ele se dê bem e que ele não entre no MSN com o Arthur e mais 5 amigos completamente bêbedos (isso foi meio enjoativo, principalmente por ser uma noite de quinta-feira). O veneno dele é bastante ácido, mas pelo menos engraçado, faz falta.
Também fiquei um pouco triste com o fim da saga de Nena no blog do Thlls, apesar de não ter acompanhado sua história desde o início. Contudo, tenho condições de afirmar, pelos poucos capítulos que li, que essa história poderia muito bem virar um livro de romance muito interessante. Gostaria de escrever algo parecido no futuro. Espero que agora que o feeling do cursinho acabou, ele crie uma nova personagem ou continue a história da mesma, ainda mais agora que ele foi aprovado no afamado vestibular da UFMG e vai entrar para a universidade na qual eu desejo trabalhar, para fazer o mesmo que eu preciso para conseguir entrar lá: ser um advogado que tira férias e deixa seus clientes horrorizados, mas tem competência suficiente para realizar o sonho deles.