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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Lentilha

Lentilha,

Não sabemos se você é Francisco ou Clarice, mas já temos seu nome. Esse apelido provisório representa o seu tamanho quando descobrimos sua chegada. Mamãe ficou feliz quando soube da notícia. Eu também fiquei, vou lhe confessar, mas tudo se intensificou quando ouvimos o seu coração bater. Mamãe pensava que você estava nos deixando e não esperávamos que você já teria um coração quando descobrimos.
Sua irmã aguarda ansiosa a sua chegada. Ela quer que você chegue logo para poder brincar (e brigar) com ela. Ao contrário de sua irmã, você ainda não fez mamãe vomitar, continue assim. Não nos preocupe ainda na barriga de sua mãe, pare de fazê-la sentir dor agora para que ela possa finalmente sentir as dores no prazo certo.
Queremos que você venha completar nossa família. Para você ficar com vontade de morder as peças de Lego da sua irmã, enquanto estivermos brincando e pedir para ela mudar o desenho da Peppa Pig, só porque você quer ver o Bita (ou qualquer outro). E ainda vai querer morder os controles do nosso videogame enquanto sua irmã ganha do papai no Mariokart.
Enquanto não sabemos se você é Francisco ou Clarice, vamos preparar nossa casa pra te receber, Lentilha. Só não sabemos ainda se ela vai ficar cheia de estrogênio ou se você irá balancear a taxa de hormônios com o papai. Nossa casa já está cheia de bonecas para a sua chegada, mas se for preciso, compraremos alguns Hotwheels para você jogar na sua irmã enquanto vocês brincam. Será que você vai gostar de dançar a música do Dinossauro conosco? Talvez você prefira a música do espaço ou do monstro (e vai ser difícil trocar entre uma e outra).
Por hora, o único item que você tem é o sapato de crochê da vovó. Ela fez exatamente a mesma coisa para receber sua irmã. Espero que você chegue logo para construir lembranças com ela assim como sua irmã têm feito. E a sua tia será sua madrinha, não esqueça de enchê-la e beijos e abraços (porque ela não hesitará em fazer isso).
Lentilha, você vem para nos transformar em melhores pessoas. Esperamos não cometer contigo os possíveis erros que cometemos com sua irmã, mas não se preocupe com isso. Você não tem somente duas pessoas te esperando e sim três. Não nos deixe preocupados, venha assumir o quarto controle do nosso videogame.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pássaro livre

O noivo estava nervoso. Era o dia do seu casamento.
- Pai, se arrume também - chacoalhou entre dentes nervosos e uma língua inquieta.
O pai respondeu calmamente:
- Daqui a dez minutos, filho.
Enquanto isso, em outro local, a noiva se preparava já havia algumas horas, nervosa também. Sua mãe acompanhava, de longe. Daria conselhos, se pudesse. Acalentaria sua cabeça e faria um carinho de mãe. Era o dia dela, seu dia de princesa.
E foi. Ao chegar no salão da festa, os noivos estavam alegres. Aquele sonho construído durante anos, havia se realizado. Todas as pessoas que haviam participado de suas vidas estavam ali. As mesas estavam decoradas com lindos passarinhos de crochê feitos à mão.
Por ironia do destino, em um dado momento da comemoração, dois pássaros entraram pela janela do salão. Os convidados se sentiram um pouco atordoados com a instabilidade do voo das aves.
- Nossa! Já imaginou se um deles bate no ventilador de teto? - sugeriu a noiva.
No mesmo momento, asinhas voaram pelo salão ao som do baque surdo do corpo de um dos animais. O destino do passarinho bateu de encontro a uma das hélices do vento. E então a noiva deixou de ser a estrela por alguns minutos. Um jovem recolheu os restos mortais da ave, enterrada como indigente em uma lixeira qualquer. E a festa continuou.
Pássaro, livre pássaro, ontem você perdeu a liberdade.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Gergelim

Gergelim,

Não sabemos se você é Luísa ou Fernando, mas já temos seu nome. Esse apelido provisório foi uma forma carinhosa que encontramos de lhe chamar. Mamãe entrou em parafusos quando soube que você estava na barriga dela. Eu também entrei, vou lhe confessar, mas todos os parafusos se apertaram quando ouvimos o seu coração bater. Quando vimos que você não era mais um gergelim, nossa vida mudou.
E mudou para melhor. Nos sentimos mais completos. Queremos que você chegue logo para alegrar nossas vidas. Descobrimos que o único jeito que você tem de se expressar é fazendo a mamãe vomitar aquilo que ela comeu. Acredite, Gergelim, não é uma forma de expressão muito legal, mas compreendemos que você queira interagir conosco.
Queremos que você venha logo para participar das nossas contemplações diárias. Para ficarmos olhando o tempo passar, enquanto você cresce na velocidade da luz. Já estou preparando o terceiro controle do videogame, embora saiba que você vai demorar muito tempo até conseguir jogar. E com certeza vai ganhar do papai muitas vezes.
Enquanto não sabemos se você é Luísa ou Fernando, vamos preparar nossas vidas despreparadas pra te receber, Gergelim. Só não sabemos ainda se ela vai ficar mais rosa ou mais azul. Se a nossa casa vai se encher de bonecas ou carrinhos. Se vou ter de comprar mais jogos de princesas ou de super-heróis. Mas ainda assim, você irá transformar nossas vidas, Gergelim.
Por hora, o único item que você tem é o sapato de crochê que a vovó lhe deu. Ele já está guardado para você. E não se preocupe, ele não é rosa nem azul, portanto você vai poder usar independente de ser Luísa ou Fernando. E já estamos à sua espera, com ele às mãos, ansiosos pela sua chegada.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O canto da seriema

Pessoas normais no interior acordam com o cantar do galo. Eu tenho, pois, uma história diferente e bastante peculiar sobre o nascer do dia.
Perto da casa da minha mãe no interior, há um córrego. Todos os dias por volta das cinco da manhã, a seriema canta anunciando o amanhecer. Começa com aquele barulho intermitente e agudo formado por duas míseras notas musicais que meus parcos conhecimentos em música não permitem dizer se sol e fá ou se fá e mi ou se qualquer outro tom.
Certo é que os bichinhos cantam religiosamente antes do sol nascer e às vezes durante a madrugada, o que dá certo ar sombrio e medonho à noite. Confesso que o canto da seriema sempre me aterrorizou, principalmente, entre o período de quatro às seis da manhã, quando eu tinha de acordar para estar religiosamente no quartel às seis em ponto, durante o serviço militar obrigatório.
Nunca soube determinar se a seriema do canto era uma ou se um bando, pois animais não costumam viver sozinhos na natureza. E quando vivem sozinhos, não sobrevivem muito tempo. Outra coisa que me impressiona é ninguém ter dado conta do bicho ainda, não é possível que ele incomode somente a mim. Isso me fez concluir que a seriema pudesse ser na verdade as seriemas.
O cantar dos bichos sempre me intrigou até que um dia passando pelo tal córrego depois de muitos anos de existência eu finalmente conheci o terror de minhas madrugadas mal dormidas. Ali estava o pássaro, de penas brancas com pescoço encurvado e pernas finas como um palito de picolé. O bicho tinha uma corcunda de dar dó, mas como qualquer animal da natureza divina era perfeitamente elaborado em gracejo.
Confesso, me apaixonei pela seriema. Mas ao lembrar de seu canto, veio à tona a vontade de matar o bicho e por fim àquela sensação estranha da madrugada. Pensei e hesitei, o animal me cativara. E ele realmente não estava sozinho! Havia três seriemas que eu pude deduzir eram uma família que vivia ali.

Hoje a seriema não cantou. Sinto falta dos meus amiguinhos...

sábado, 11 de junho de 2016

Lançamento em Formiga e o que mais esperar

Dia 28 de maio, foi o lançamento da minha obra "O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue" na minha cidade natal, Formiga-MG. O evento aconteceu na sede do COLECULT, um coletivo cultural responsável por realizações culturais no município. Foi muito legal, fui prestigiado por muitos escritores do Clube Literário Marconi Montolli (CMLL) e da Academia Formiguense de Letras (AFL), o que me deixou muito feliz, mas nada foi mais alegrante do que a presença dos poucos amigos que puderam comparecer. Tenham a certeza de que vocês se tornaram ainda mais especiais para mim por terem dedicado um pequeno e precioso tempo do seu sábado de feriado prolongado para ir lá me prestigiar. Obrigado de coração!


Queria deixar aqui registrado, o meu agradecimento à Jucielle Leal, a Ju, minha revisora, que fez questão de comparecer ao evento. Você foi essencial para melhorar as palavras desse texto e eu gostaria muito de trabalhar contigo numa próxima oportunidade. Vou escrever uma continuação, então já se prepare, pois precisarei de você mais uma vez!
E agora a novidade! Sim, eu vou escrever uma continuação da história. Não era minha intenção fazer isso no começo, mas os feedbacks que eu tenho recebido estão sendo fenomenais! E estão me fazendo pensar um monte de coisas que eu poderia ter explorado nos meus persongens. Não dá pra explicar como acontece, as histórias simplesmente surgem na cabeça e dá vontade de contar, é muito louco isso!
Isso só foi possível graças às técnicas de construção de personagens aprendidas nas diversas oficinas que eu já fiz. Lembro direitinho do Vitor Caffagi dizendo que quando você constrói uma história se baseando na personagem, fica muito mais fácil aproveitá-la depois em outros contextos e isso ficou evidente depois da publicação de "O Mistério da Mata da Alpineia". As histórias nas quais as personagens podem se envolver são muitas e cada vez mais me dá vontade de contá-las!
Por hora, a grande dificuldade é colocar o livro nas livrarias, mas como diria Fernando Sabino "A única forma de resolver um problema nosso é primeiro resolver o do outro". Quando tudo se acertar, as coisas vão dar certo.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Os primeiros empecilhos

Faz pouco mais de um mês que "O Mistério da Mata da Alpineia" foi lançado e eu estou encontrando enorme dificuldade para colocar o livro nas livrarias. Nesse ponto, a falta de uma editora é realmente um ponto que pesa, mas vou compartilhar uma experiência que me serve de exemplo.
Fernando Sabino, que, segundo alguns autores, chegou a ser o segundo escritor mais vendido no Brasil na década de 80. Ficava atrás apenas de Jorge Amado, que era promovido pela Globo com dezenas de novelas. Sabino também iniciou-se na literatura pagando a publicação de seu primeiro livro. Ele mesmo o admitiu em "O Tabuleiro de Damas", seu esboço de autobiografia: "Marques Rebelo me ajudou a publicar na Editora Pongetti, em 1941, meu primeiro livro, 'Os Grilos não Cantam Mais'. Título longo, como se usava na época: '...E o Vento Levou', 'Como Era Verde o Meu Vale', 'Doutor, Aqui Está o Seu Chapéu'... Paguei a edição de mil exemplares com a minha parte no produto da venda de um lote, que meu pai dividiu entre os seis filhos." (SABINO, 2003, p.34-35)
E anos depois ele se tornou o segundo autor mais lido no país sem a promoção do canal de televisão mais influente do Estado. Hoje, eu tenho o prazer de viver na cidade onde ele desenvolveu seus primeiros esboços e confesso que é meio louco quando eu ando pela Rua da Bahia ou pelos arcos do viaduto Santa Tereza pensando que por ali passavam os Quatro Cavaleiros, como se autodenominavam Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.
A literatura é um ramo difícil como qualquer outro, nem por isso me faz desistir. Confesso que esperava vender muito mais na Bienal do Livro de Minas e também obter o apoio da Prefeitura de minha cidade natal para um lançamento in loco, mas num país onde a Cultura é ameaçada de extinção pelo novo presidente, podemos esperar que o discurso seja reproduzido nos níveis mais baixos.

sábado, 9 de abril de 2016

A escrita escolar e lançamento do livro

Enfim, "O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue" está pronto! (faz posição de super herói com foguetes de Power Rangers ao fundo) Não sei o que devo dizer agora que o livro está pronto. (pausa) (mais pausa) (pensando) (ainda pensando) Bom, embora eu não tenha falado sobre o processo do livro aqui no blog, quem acompanhou, sabe que foi muito trabalhoso então vou compartilhar um pouco disso com vocês.
Eu comecei a escrever o livro em 2011 num ônibus intermunicipal, indo pra minha cidade natal. Foi quando eu tive a ideia do nada assim e decidi escrever. Imediatamente, eu liguei o computador e comecei a digitar algumas palavras e em determinado momento da produção eu vi que não tinha técnica nenhuma para escrever um livro literário.
Nesse momento, eu conclui que nossas escolas apresentam uma grande deficiência que é a de não ensinar a escrita literária. Em muitas escolas, a escrita literária é trabalhada somente nas séries iniciais do desenvolvimento escolar e quando o cara chega na quinta série, dali em diante ele só faz redação e redação de cunho dissertativo e não literário. Vejo sempre propostas do tipo "fale sobre determinado tema" e nunca "fale sobre o que lhe der na telha!" Acho que as crianças precisam aprender a falar sobre o que elas quiserem e quando eu fui procurar um curso de escrita criativa a ideia que o professor mais fixava na nossa cabeça era a de que embora houvesse uma proposta, todos eram livres para falar do assunto que bem entendessem.
Esse é o principal foco da escrita literária. Falar sobre qualquer assunto sem ter que necessariamente contar uma verdade. A liberdade de criar é total! Obviamente existem estratégias, mas a possibilidade de poder criar uma história num mundo que sequer existe e nem mesmo fazer a ligação dele com a terra é inimaginável! Precisamos levar esse conhecimento aos alunos, pois mais do que formadores de leitores, nós somos formadores de escritores também.
Bem, fica a reflexão e embora eu não tenha pretendido falar disso inicialmente, gostaria de finalizar convidando todos para o lançamento do livro dia 16 de abril, às 19h00, no Expominas, dentro das atividades da Bienal do Livro de Minas. O lançamento acontecerá no estande G15, da Liga de Autores Mineiros, um estande com 19 outros autores e um monte de livros legais para vocês apreciarem. Até a próxima!


terça-feira, 15 de março de 2016

Fim da campanha, não da linha

Terminou hoje a campanha de financiamento coletivo do livro O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue. Ao fim da campanha consegui arrecadar a soma de R$1670,00 a partir de 36 apoiadores do projeto. Gostaria de registrar aqui o meu agradecimento a todos eles.
Entretanto, o valor captado corresponde a somente 20,88% do valor pretendido, mais de 8 mil! (leiam isso com a voz do Nappa em Dragon Ball Z, por favor), e não foi possível ficar com a grana porque eu fiz o projeto na modalidade Tudo ou Nada, ou seja, se eu atingisse a meta ficaria com tudo, se não com nada.
  • Mas Ari, por que você não vai ficar com o dinheiro? Porque é a política do site, ora bolas.
  • Por que vc não utilizou aquela modalidade nova do catarse então, onde você fica com o que arrecadou independentemente da meta? Porque eu sou burro mesmo imaginei que fosse dar mais credibilidade ao projeto fazê-lo na modalidade Tudo ou Nada, mas não deu.
  • Mas Ari, você colocou uma meta muito alta, lógico que não ia dar certo... e foi justamente por isso que eu tentei a meta alta. O não eu já tinha.
  • Por que você não usou o Kickstarter então, cara? Puta que pariu, velho, eu tô fazendo um livro de cultura brasileira, sobre folclore nacional, em português do Brasil e você ainda quer que eu coloque a parada num site estrangeiro? Pretendo um dia sim traduzir uma versão para o inglês e publicar na Amazon, mas calma lá, vamos por partes agora, meu caro Jack.

Quem quiser perguntar alguma outra questão a respeito, use os comentários aí embaixo e se eu gostar da pergunta ele pode até entrar no FAQ aí de cima depois. Mas o que eu gostaria de dizer é que isso não irá me impedir de lançar o livro. Apenas farei uma tiragem menor para distribuição. QUem quiser ler a história, poderá entrar em contato comigo e adquirir o livro pelo preço de R$25,00 do mesmo jeito, no entanto, não poderei garantir o frete grátis, conforme a campanha no catarse previa, nem os mimos e etc.
O Mistério da Mata da Alpineia será lançado no dia 15 de abril de 2016, na Bienal do Livro de Minas, no estande da Liga de Autores Mineiros (box G15), às 17h00. Ficarei muito feliz se cada leitor dessa postagem comparecer ao evento. Vocês serão muito bem recebidos, com certeza!

sábado, 16 de janeiro de 2016

O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue

Bem, sumi do blog nos últimos tempos deixando esse espaço praticamente às traças, mas hoje chegou o dia de justificar devidamente a minha ausência. Durante esse tempo que parei de escrever na internet, dediquei-me quase que exclusivamente à elaboração de minha primeira obra literária: O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue.
O livro é uma ideia que surgiu na minha cabeça durante de minhas muitas viagens de ônibus no trecho Belo Horizonte-Formiga. Lembro perfeitamente do dia em que eu estava viajando com minha mãe, tive um lapso criativo e resolvi começar a contar aquela história. Naquele dia, em um passado longínquo entre 2011 e 2012, eu digitei freneticamente os primeiros dois capítulos do que viria a ser a base para o livro que vai sair.
Depois de desenvolver a história, acabei cortando quase que metade do capítulo um com trechos de personagens que nem apareciam na história, que eu não consegui aproveitar ou que não mereciam destaque devido ao rumo que a história levou. Nesse processo, devo ressaltar que a ajuda da minha amiga Thaís Lopes foi muito importante e eu sinto realmente não ter envolvido ela em outras etapas do processo de produção, mas eu quis que cada um dos meu amigos participasse de alguma forma e como ela já havia dado toques importantíssimos no início, a produção acabou envolvendo outras pessoas.
O livro será produzido com a ajuda de um financiamento coletivo no site catarse.me/matadaalpineia de modo que quem entrar lá pode dar o seu apoio para que o projeto se torne uma realidade. Estão previstas muitas recompensas exclusivas para quem apoiar o projeto no site. E todos que contribuírem terão o nome nos agradecimentos da primeira edição que terá mil exemplares. Assim o projeto poderá ter a colaboração de muita gente e será produzido com o apoio de todos aqueles que abraçaram a ideia.
Se você está lendo essa postagem e ficou ainda mais disposto a ajudar, acesse o link ali em cima e dê o seu apoio para este autor! A literatura brasileira precisa do seu incentivo para crescer e fomentar a cultura em nosso país!
Em breve eu volto com mais informações do projeto ou textos aleatórios de catarse pessoal. Quem vem aqui me ler, sabe do que se trata o blog. E caso essa seja a sua primeira visita, não deixe de conferir o que eu falo por aqui, você pode encontrar alguma coisa legal.



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O poder feminino

Pensem que os homens tenham foça para carregar uma arma em suas mãos, mas somente uma mulher terá o poder de lhe derrubar. Pensem que as mulheres não tenham destreza para manejar as mesmas armas, mas elas manejarão o seu coração. Uma mulher tem o dom de fazer um homem cair de joelhos e feri-lo no fundo da alma da mesma forma eu pode conquistá-lo em seu mais íntimo pedaço.
Um desses homens caiu perante uma delas e desistiu de seus sonhos de seus sonhos, subtraindo-se ao fosso de si mesmo. Outro deixou suas armas na praia e partiu em nado raso rumo aos seus sonhos, mas as visões dela não lhe permitiram nadar com consistência. Em meio às turbulências, o jovem caiu nos encantos da sereia e seus sonhos se desvaneceram.
Mulher, é teu o poder de fragilizar a mais forte máquina humana do homem, o coração.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A odisséia Interpol


Faz algum tempo, conheci uma banda de rock moderna e acabei me tornando um fã exponencial de seus trabalhos. O nome do grupo pode ser confundido com a alcunha de uma conhecida organização policial internacional, mas nunca imaginei que fosse misturado com o nome da cidade natal de uma das maiores bandas do rock de todos os tempos. O responsável pela confusão tem seus méritos.
Prestes a comemorar uma data especial, Luana se preparava para dar um presente ao seu namorado. Ela queria que fosse algo especial e pediu ao amigo Alan que procurasse o CD de uma banda chamada Interpol. Ela nunca tinha ouvido falar naquele grupo, mas sabia que era o predileto de seu namorado, tendo em vista que ele passava horas e horas escutando as canções dos músicos novaiorquinos. A missão era encontrar alguma obra deles em uma loja de CDs da capital mineira, tendo em vista a escassez desse artigo no interior.
Alan, na melhor das intenções, dirigiu-se ao shopping mais próximo e foi à loja de CDs especializada que havia lá. Na primeira abordagem perguntou ao vendedor:
- Você tem o disco da banda Interpol?
Depois de pensar um pouco o vendedor respondeu:
- Não, não temos nenhum álbum deles.
Alan agradeceu e foi embora com a certeza de que sua jornada seria um pouco complicada, uma vez que ele nunca tinha ouvido falar naquele conjunto e sua primeira investida havia sido frustrada. Resolveu ser mais prático e procurar o artigo em um local mais específico, um centro comercial conhecido como Galeria do Rock. Lá, apesar de já não ser, há muito tempo, uma espécie de mercado que só tem lojas com artigos de rock'n'roll, ainda contempla nos seus andares superiores várias lojinhas sortidas com dezenas de discos de vinil e CDs das mais variadas bandas. Tinha certeza de que encontraria o que queria lá.
No segundo andar, encontrou uma loja cheia de CDs e decidiu consultar o vendedor. Aí veio a confusão:
- Você tem o disco da banda Liverpool?
Confuso, o vendedor perguntou:
- Liverpool? Não... Essa banda eu não tenho não... Tem certeza que é esse o nome?
- Sim. É que é uma banda mais nova, eu vou continuar procurando. Obrigado!
E saiu continuando sua procura pelo artigo, agora, da banda Liverpool. No terceiro andar, Alan encontrou um vendedor mais velho, em meio a dezenas de discos e CDs, um clássico roqueiro que parecia ter saído da capa de um daqueles álbuns. Então, lançou a pergunta:
- Você tem o disco da banda Liverpool?
O velho coçou a barba, pensou um pouco e respondeu:
- Tenho - e saiu à procura do disco em meio a um monte de CDs nos expositores - Aqui está! Liverpool Express, essa banda é muito boa!
Alan pegou o CD nas mãos e observou com calma. Tinha três rapazes cabeludos na capa, com figurinos extravagantes típicos dos anos 70 e o nome da banda em letras roxas bem destacado. O jovem ficou na dúvida se era mesmo aquilo que a garota havia lhe pedido e, na dúvida, decidiu não levar o disco.
- Não... Acho que não é essa banda. Mas eu vou ver com o meu amigo e se for essa mesmo, eu volto aqui depois.
O vendedor insistiu:
- Nada, cara! Pode levar, essa banda é boa, seu amigo vai gostar.
- Não, mas é que eu não sei se é esse CD que ele está procurando. Não vou arriscar. Mas muito obrigado.
- De nada, cara. Depois você volta aí.
- Valeu! Até mais!

***

Muito tempo depois, o amigo comenta uma notícia que lhe deixou muito feliz:
- Nossa, essa semana saiu o novo CD do Interpol. Eu não consigo parar de escutar ele nem na hora do almoço, cara.
- Ah! Interpol! Então é Interpol o nome da banda?
- Sim, minha banda predileta, por quê?
- Por nada não... - respondeu Alan aos risos - Deixa pra lá!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A rival da minha mãe morreu

Tenho pensado muito em morte ultimamente. Não sei se isso reflete o medo que tenho de morrer ou se reflete o medo que tenho de pessoas queridas morrerem. Mas, porém, todavia, contudo, entretanto... pessoas morrem... por vários motivos.
Da mesma forma que pessoas nascem. Todos os dias. Fico triste por minha "eterna" chefe estar com o marido no hospital, sofrendo de cirrose sem nunca ter sido um cachaceiro nato. Fico imaginando que meus problemas mentais são nada perto disso e me sinto um lixo. Tem pessoas que realmente têm problemas de saúde, cara, e eu fico aqui divagando... pensando em quem a Dona Morte pode levar desta vida... pensando no trecho de Shakeaspere, em Hamlet:

"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação."

(Tradução de SILVA RAMOS, Péricles Eugênio da. Hamlet. Editora Abril, 1976. Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ser_ou_n%C3%A3o_ser)


Sim. A Marildinha morreu... Nunca imaginei que a morte de uma pessoa fosse causar um sorriso na minha cara. Mas causou... O choro contido de meu pai, presenciado por uma de minhas irmãs num mercadinho da cidade de Formiga, não foi suficiente para eu ter dó daquela com quem meu pai traiu mamãe durante uma vida inteira. Homônimas ainda por cima! Arremato o texto autoral com o comentário de minha mãe sobre o caso: "Eu e a Marilda votávamos na mesma seção e nunca sequer nos encontramos". Desejo sinceramente que ambas não se encontrem nunca mais...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Comece o ano com uma música boa



Há exatamente 10 anos eu conheci essa banda por causa dessa música. E aí descobri que eles tinham um outro álbum de 1999 chamado "Parachutes" com um planeta laranja na capa. Era uma época em que só se falava em Armagedon e um álbum com um planeta na capa era tudo o que a mídia precisava para que uma banda fizesse sucesso. Esse tal Parachutes é uma porcaria de álbum (com todo o respeito à banda) porque é totalmente depressivo. Somente o hit "Yellow" e a baladinha "Everything is not lost" foram tocados na última passagem dessa banda aí pelo Brasil, em 2011, no Rock in Rio.
No final de 2010, comprei meu Rock in Rio card pensando em ir ao "maior festival de rock do mundo" para ver essa banda. Todavia, depois que confirmaram Skank e Frejat no mesmo dia, decidi vender meu ingresso para o Breno, um fã da banda Slipknot (nem sei se é assim que escreve, mas tudo bem) e ele aproveitou muito mais do que eu poderia aproveitar no festival que rolou ano passado.
Até porque, se eu quiser ver o show dessa banda no Rock in Rio basta acessar esse link aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=CPLnqEA9noc
Feliz 2012 para todos vocês, caros leitores!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Que venha 2012...

Pronto, acho que já parei de viajar o suficiente para voltar a escrever por aqui e como o ano tá acabando eu tinha que voltar aqui mesmo pra fazer meu post de fim de ano. Vou adotar o mesmo esquema dos meus posts de fim de ano anteriores, embora eu acredite que nem tenha tantos leitores a ler essa joça de blog que se perdeu no tempo assim como outras coisas que se perderam este ano. Mas então vamos lá.
O ano começou maravilhosamente bem com a galera do MK Vera quebrando tudo (inclusive a casa) lá na roça do meu querido amigo Gabriel. Foi extremamente bom tudo o que vivemos lá e eu guardarei para sempre as lembranças daqueles dias. O atolamento que enfrentamos para ir buscar o Marcelo ficará para sempre em minha memória. Contudo, o que se passou lá, acabou sendo perdido numa esquina do tempo.
O ano começou com o ocaso do meu pequeno empreendimento na área de card games, que me deu uma baita dor de cabeça do cão. Foi-se embora a Skirk Land e eu continuei a jogar Pokémon com uma galera que nem era composta meus amigos mais próximos. Tempos depois, o Pokémon se tornou minha válvula de escape da realidade e eu entrei num vício tão grande que me levou ao fundo do poço no meio do ano.
No fim das contas, 2011 para mim foi um ano perdido. Agora que eu parei pra refletir, observando o meu post de fim de ano de 2010: nenhuma das metas que eu coloquei para mim no ano de 2011 foi cumprida. Nenhuma mesmo! Em 2011, eu queria concretizar a única meta que não consegui atingir no ano anterior e nem isso eu consegui fazer.
Dando continuidade à retrospectiva, fui contratado para participar como secretário de um evento de grande nome na Escola de Música da UFMG e o trabalho começou a me consumir. Nas horas de descanso, às quais eu deveria usar para responder e-mails e dar continuidade ao meu trabalho, tudo o que eu queria fazer era simplesmente pegar uma partida de Pokémon Online e com isso perdi o sono e com ele a minha qualidade de vida.
Marquei minhas primeiras férias para julho deste ano, pensando em me dedicar a viver Los Angeles com os meus amigos e desestressar de todo e qualquer trabalho que viesse a me incomodar. Os primeiros dias foram ótimos. Resolver os problemas da Codirc que viria eram um ótimo passatempo para quem tinha decretado férias totais para seu trabalho estressante na capital dos mineiros. E então veio a quarta-feira do dia 13 de julho.
Essa quarta-feira me marcou tanto quanto outro dia que vou citar mais para frente. Aquele dia eu havia separado para jogar Pokémon com o meu sobrinho e comparecer à formatura dos meus ex-sogros. E eis que depois de passar uma tarde inteira conversando sobre monstros de bolso e fé, veio a queda. À noite, entrei em desentendimento com a Mariana e quis ir embora pra minha casa proferindo uma conversa completamente sem fundamento com o Wesley. Eu não estava bem. Havia cometido o mesmo erro de trocar o dia pela noite e tudo o que eu pensava se resumia aos pequenos e inofensivos montros de bolso.
Aquilo foi o "start" para uma confusão mental que me assolou o resto do ano, contra a qual luto até hoje. Voltei ao Dr. Reginaldo. Voltei a tomar aquela dose cavalar de comprimidos estranhos. Voltei a não ser dono de mim mesmo e tive uma amnésia que somente foi interrompida graças à chegada da minha irmã que eu não via há três anos.
A chegada dela me tirou de um buraco no qual eu havia me enfiado com todas as forças. E então eu comecei a queimar literalmente todas as lembranças de um passado triste. Tudo o que eu havia dedicado anos a colecionar e na residência à qual ainda tenho por carinho chamar de minha em Formiga. Tudo isso para deixar de lado a única coisa que me havia feito mal o ano inteiro: o jogo.
Voltei a trabalhar em agosto numa consternação tão grande que me levou a outro médico na cidade de Belo Horizonte. Fiquei três meses parado, sem fazer absolutamente nada na casa de meus pais. E então veio o dia 14 de agosto, quando a pessoa mais interessante que apareceu na minha vida em 2010 resolveu me deixar. Era dia dos pais. Embora eu não compreenda os sentimentos de um pai, esse foi o pior presente que eu poderia ter recebido naquela data.
E então eu mergulhei numa grande depressão que me fez afastar dos meus amigos e me aproximar mais de minha família problemática. Passei a compreender os motivos das brigas e dos afastamentos, percebendo que fora preservado de tantos cataclismas por ser o mais novo de casa. Com o apoio deles venci as dificuldades e voltei a trabalhar.
Nesse meio tempo meu melhor amigo se casou. Ele também deixou para trás um monte de coisas para viver uma vida nova e diferente. Hoje tanto quanto eu, ele é uma pessoa que não cabe mais no cotidiano formiguense. A vida que ele leva tornou-se para mim um exemplo de superação.
E então veio a segunda parte das minhas férias em dezembro. Conheci um mundo novo, vivi um mundo novo e finalmente descansei. Descansei da labuta e dos problemas contidianos. Descansei do trabalho chato e estressante. Descansei da minha intensa confusão mental. Agora é hora de fazer o balanço do ano.

Ano passado eu aprendi

*Que não dormir faz mal, muito mal.

*Que a família começa e termina sabendo onde vai.

*Que os verdadeiros amigos nunca te abandonam e ainda te surpreendem no final.

Arrependimentos do ano

*Ter me suicidado no Orkut.

*Não ter participado da Codirc.

*Ter deixado o MK Vera e o Rotaract.

O que espero de 2012

*Tirar carteira (já nem quero mais entrar pra "coolest drivers high", só tirar carteira já tá bom demais).

*Iniciar o curso do PROLEITURA - Pós-graduação em Língua Portuguesa, Leitura e Compreensão de Textos.

*Que a profecia dos maias esteja realmente certa, porque como diria o sábio Thlls: "O Mundo Real não é legal".

Que venha logo o fim do mundo, então...

domingo, 13 de novembro de 2011

Páginas brancas com linhas azuladas (ainda que cinzentas)

Essa semana me lembrei daquela música antiga... digo, música do passado (uma vez que o conceito de música antiga já é de certa forma "institucionalizado" no meio universitário, rs) do LS Jack, se não me engano, que diz assim: "Coloquei umaa cartaa numa velha garraafaa" (pode parecer zoeira esse lance da vogal dobrada, mas é como eu sempre escutei a música na minha adolescência revoltada). Aí eu escrevi uma carta parecida com a da música e, embora não quisesse colocá-la numa garrafa, guardei. A minha era a princípio como diz em outro verso da mesma canção: "Mais uma carta de solidão". Porém, quinta-feira eu tomei a decisão de externá-la ao mundo. Ficara três dias guardada, tal qual o Cristo em sua paíxão.
Bastaram alguns contatos externos para eu decidir que aquela carta escrita em papel físico caberia muito bem em um e-mail, mas aí eu pensei: "Putz, essa tecnologia está realmente nos invadindo hein?" e, como não sou um bom "comunicador", decidi assumir mesmo a natureza de poeta, adquirida de minha mãe, para não extenizá-la mais.
Coloquei então a carta na minha mochila (que coisa mais otaku... tsc) e fui trabalhar na sexta-feira com o propósito de viajar para minha terra natal. Em casa, percebi o quanto eu me tornei obsoleto e fui desleixado durante a semana. A reintegração ao trabalho é um pouco difícil, colegas, mas ela tem de acontecer e eu espero que vocês me entendam.
Chegando em casa descobri que minha vizinha mais próxima tinha morrido. Emocionei-me e ainda lembrei outra música de tempos idos que fala: "Quem é maissentimental que eeeu" (mais uma vez transcrita segundo a minha adolescência revoltada). Passara-se uma semana completamente sentimental e havia Dona Maria sido enterrada enquanto eu viajava. É realmente triste que ela tenha deixado o nosso meio. Vou sentir falta dela ao usar o banheiro da casa de minha mãe entre às 18 e 19 horas, horário em que ela sempre via e tentava ouvir o terço da Rede Vida, coisa para o qual ela havia comprado uma antena parabólica quando nem sequer existia essas tvs por assinatura de hoje.
Esse texto do último parágrafo saiu tão descompromissado que eu perdi um pouco do foco original... Ah, é! As páginas brancas com linhas azuladas. É que comprei um bloco para escrever cartas e usar os correios. Acho que foi só pra isso que eu acordei nesse horário pra fazer esse post. Todavia, a sinceridade do meu copo de café não permite que eu termine o post agora. Ele, na verdade, é uma continuação do post anterior e eu estou sem criatividade suficiente para juntar os dois numa crônica. Eu acho que terei tempo durante a semana pra fazer isso, então vou terminar por aqui mesmo.
Perdoem-me os possíveis erros de digitação, durante a semana eu talvez corrija isso também. Até porque são quase 9h00 e eu estou afim de ir na "missa dos velhos" soltar alguns bocejos em público.

***

Joguei a carta fora. Descobri que ela não fazia muito sentido. Mas foi uma forma de desabafar. Joguei fora o bloco para escrever também. As linhas azuladas não são mais azuis, nem as páginas são brancas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sonhos

Uma vez, eu vi num desenho um cara falando que alguns sonhos predizem coisas e essa frase ficou martelando na minha cabeça. Acho interessante falar que o tal desenho chama-se Sakura Card Captors, que dentre outras doisas me lembra alguém muito especial para mim que todo mundo que ler isso saberá quem é (não, nem todo mundo vai saber, portanto, vou ter de revelar de alguma forma).
O cara que diz essa fala no desenho era um homem justo, quieto e solidário e era o amor platônico da personagem principal Sakura, que dá nome ao desenho. O problema é que esse cara vira um anjo no meio do desenho (ah, esses japoneses... tsc), o que abre uma interpretação para um monte de outras coisas que eu deveria esquecer.
O fato de eu falar isso aqui e agora é só para abrir uma metáfora sobre minha vida atual. Graças ao Bom Senhor, voltei a trabalhar nesta segunda-feira e já se passou quase uma manhã inteira sem o telefone daqui tocar (o que me fez vir parar aqui para escrever). Tenho sonhado incessantemente com um monte de coisas que resolvi deixar para trás e isso vem me dando mais vontade de voltar a viver minha vidinha incomum e intensa de antigamente, mas não dá. Deixei de lado muitas coisas que não podem voltar, pois eu sinto que se voltarem, vão me causar mais problemas.
Esse lance de mudança é que é a maior problema. Fernando Sabino, meu escritor predileto costumava dizer que "se mudou é porque não deu certo" e que "no fim dá certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim", mas o otimismo dessas duas frases contém uma sabedoria tão antiga quanto o próprio escritor. E isso me faz voltar aos antigos mais uma vez.
Nessa era de novos conhecimentos, novos costumes, novas histórias, eu às vezes me sinto um "fora de época", um antiquado que não abriu sua mente para as bonanças e prazeres do século XXI ou um cara que preferia viver na ingenuidade do século anterior sem se preocupar com o caos instaurado nesse mundo atual. Aqui em Belo Horizonte, há obras por todos os lados e as transformações no espaço urbano se misturam às transformações do meu ser. É tenso imaginar que aos 24 anos eu já realizei bem uns 60% dos meus sonhos, pois parece que a vida não tem mais sentido daqui pra frente.
Nessa hora, a vida toma formas diferentes. As coisas tomam formas diferentes. Mas a forma do ser permanece a mesma. É triste viver assim sem prognósticos, com restrições médicas, preocupando-se em primeiro lugar com a saúde. Tendo de pensar duas ou três vezes antes de tentar viver "Los Angeles". É triste, mas não há o que se fazer além de confiar que algum dia tudo isso passa. Essa sensação do "não há o que se fazer" traz uma impotÊncia tão gigante que abala as estruturas e não sara todas as feridas.
E aí eu sonho. E meus sonhos não predizem coisas, mas relembram cotidianos. As vozes de nossa mente que nos acometem antes de dormir ficam mais fortes. Então, eu finalmente durmo e acordo sem elas, sabendo que elas voltarão à noite. É um estranho cotidiano, mas é o mundo real. E no mundo real ainda dá tempo de ter sonhos, ou de predizer os sonhos que se quer ter.


Encontrei minha colega de trabalho estudando e isso me fez pensar no monte de oportunidades que perdi neste ano.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ansiedade

Todo dia é uma luta. É uma luta contra eu mesmo. É uma luta contra um cotidiano, contra um passado que resolvi deixar para trás. É uma luta que não acaba. Continua todos os dias. Meu problema é químico e a química mais simples do cotidiano comum não resolve, do contrário, atrapalha.
Todos os dias me pergunto quem sou eu. Descubro-me no mesmo lugar onde parei, sempre no começo, e não encontro a resposta para a pergunta. Sonho. Acordo. Durmo, sonho e então acordo. As sextas e sábados são as piores. Os dias de balada são um martírio. Sou um personagem solo como qualquer outro no jogo da vida. Expurgo meus demônios escrevendo estas palavras.
Demônios. Eles existem, assim como os anjos. Todos os dias luto contra eles. Distingui-los neste mundo mundo, vasto e imundo é muito difícil. Posso dizer que convivi com vários demônios e hoje tento expulsá-los de minha vida. Não consigo. É difícil ser um cidadão do mundo. Ainda mais neste mundo sujo.
Se eu pudesse, iria para o sul, buscar a pureza de um mundo novo. Buscar a pureza de um amor limpo. Buscar a pureza de um amor familiar. Este mundo velho só me corrompe. Corrompe, corrói e destrói. Mas no momento não posso. Tenho de me aguentar nesse caos urbano, esperando a hora marcada, a hora chegada. Se eu pudesse, jogaria tudo pro alto. Mas no momento, não posso.
Continuo minha luta em busca do esquecer. Continuo minha luta em busca do viver. Continuo como um lutador sem forças, que vacila na esquina do ser. É difícil abandonar o coração. Ainda mais porque é ele que bate e que dá forças a essa máquina de carne que metralha tais palavras sujas. Que Jeová Deus não me abandone nessa caminhada.

domingo, 11 de setembro de 2011

F5 ou atualização de "coisas" em uma cabeça estranha

Escrever é uma arte. Escrever para que os outros leiam é ainda mais gratificante. Hoje, eu deveria estar em Ouro Preto/Mariana participando de uma Semana de Música Antiga, mas a falta de maturidade falou mais alto. Quis assumir quinze mil compromissos, fiquei assombrado com coisas "normais" numa cidade grande e carreguei uma enorme responsabilidade por cima dos meus ombros. Hoje concluí, não dá, galera.
Ninguém pode ser o super-homem e se você escutar aquela música do David Bowie e sair acreditando que "nós podemos ser heróis, somente por um dia" você pode se ferrar. O máximo que você pode fazer é inventar um super-herói imaginário que venha a ser um herói para as crianças como um Harry Potter foi pra mim um dia. Existe sim uma linha tênue entre acreditar ou não nessas histórias e quando elas se misturam muito com a sua vida comum de alguma forma é realmente intrigante.
Antigamente, a vida podia imitar a arte. Hoje a arte imita muito mais a vida do que o contrário. As novelas mostram um cotidiano tão próximo de qualquer realidade que prendem telespectadores em várias partes do país (mas eu não tenho paciência pra ficar assistindo essas coisas). Os seriados americanos não fazem nada mais do que as novelas, mas muita gente acha mais "interessante" porque não são produções brasileiras recheadas de atores que aparecem no programa "Estrelas" da Angélica qualquer dia e ainda há a facilidade de você "baixar" quantos quiser e puder pela internet.
Hoje, escuto Bloc Party lembrando daquele show épico, pelo qual eu e o Marcelo Rodarte esperamos atônitos, com uma ideia muito diferente. Alguns até hoje me zoam por eu ter perdido os Breeders para ver o baixista do Bloc Party reciclado entre um instrumento de cordas e um teclado só para poder ouvir "Banquet", mas eu não me importo. Eu me importo muito mais de não ter conseguido uma entrada para ver Strokes e Interpol do que de ter ido àquele ridículo show do Bloc Party, porque isso sim sou eu e é algo que não vai mudar.
Eu até tinha vontade de ir ao Rock'n'Rio para ver o Coldplay, mas quando vi que confirmaram Frejat e Skank no mesmo dia, desanimei. Nesse nível, um show do Padre Fábio de Melo me atrai muito mais. Ainda mais que Coldplay já faz parte de um cotidiano antiquíssimo, o qual eu não deveria nem me lembrar neste momento.
Hoje vivo para esquecer cotidianos outrora perniciosos à minha pessoa. Vivo. Como um humano normal, humano demais pra compreender esse jeito que Deus escolheu para amar seus filhos. No entanto, é graças a Ele que também compreendo minhas confusões mentais. Posso ter trocado o santo protetor, mas a fé continua a mesma. Fato é que cansei de ser uma "doce criança no tempo, que verá a linha que passa entre o bem e o mal". Um dia posso até vir a ser um "homem cego, atirando para o mundo", mas eu não acredito que Deus tenha sido mau com seus filhos, nem que venha sendo "ruim ao guiar pelo alto" como um dia Jhon Lord escreveu naquela música do Deep Purple. Deus é um cara legal e se ele tem nos convocado para ser "anjos" por Ele na Terra, nós devemos fazer bem o nosso trabalho. Não falo em ser um cara puro, nem um "Mister Clean", mas um homem justo na medida certa.

***

Estamos em 2015 agora. O Interpol voltou ao Brasil e mais uma vez eu não fui a show...

sábado, 30 de abril de 2011

A Time to Be so Small

Toda vez que entro no blogger, costumo ler os últimos posts dos meus amigos antes de postar o meu próprio (até para ver sobre o que eles estão falando e tirar uma ideia de vez em quando), mas acho que em nenhuma outra vez como hoje me senti tão próximo a eles. TODA a minha lista (em CAPS LOCK mesmo) está com posts de um mês atrás ou de até uma semana precedidos de atualizações há mais de um mês. Não sei o que está acontecendo, mas parece que todo mundo, do meu círculo virtual pelo menos, está sem tempo para postar ou simplesmente com preguiça de fazê-lo.

Foi-se a época que chegava a segunda-feira e eu atualizava meu blog, ou entrava no blog do Lalinho para ver o que tinha acontecido na Cidade das Areias Brancas durante o fim de semana. Mas também, não sei por que todo mundo decidiu reativar seus sítios virtuais após a Páscoa. Só posso dizer que isso é algo muito intrigante, o qual somente (talvez) a metafísica pode explicar cientificamente (o Wescley deveria ler isso... ou não).

A consonância dos assuntos (em sua grande maioria) introspectivos me fez pensar também naquilo que tenho feito nos últimos tempos. Esse último feriadão me fez pensar que, cada vez mais, o tempo não é tempo suficiente e parece ter sido feito para ser tão pequeno (como podemos interpretar o título deste post estraído de uma música do Interpol) mesmo nos momentos em que você está à espera de algo que tanto lhe parece importante.

No momento, eu não estou à espera de nada, mas o tempo (tempo, mano velho) até a chegada dessa espera parece ser tão curto que eu passo os dias e horas contemplando essa beleza, à qual um dia nós chamamos de Cronos. E assim, vou chegando atrasado nos lugares, demorando mais para sair deles e algumas vezes descumprindo compromissos sem antes desmarcá-los ou dar uma satisfatória justificativa antecipada. É triste pensar assim, mas me sinto como um brinquedinho de Cronos. Espero que Santa Eurósia me ajude a afastar esse mau tempo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Lo Angel

Voar nunca foi meu apreço (acho que já ouvi essa frase em algum lugar, mas infelizmente não me lembro a referêmcia agora). Mesmo assim, aprendi a bater asas, de certo modo. Traço voos sem asas, rumo a direções que não sei aonde vão dar... Mas também não sei porque comecei esse papo filosófico random assim do nada (deve ter sido influência do blog da Cida Leal).
Passou-se o Carnaval (no qual não fiz absolutamente nada fora do comum, embora quisesse muito ter feito) e as coisas voltaram a funcionar como tudo funciona neste país. Tragicamente (não para os alunos), a festa culminou com a volta às aulas nas universidades federais e para quem trabalha numa instituição de ensino dessa, com certeza deve ter sido um porre esse período. Depois de 3 meses "away" da rotina universitária, os alunos chegam e querem compensar tudo aquilo que perderam nesse período por estar em suas casas curtindo o melhor que as férias têm a lhes oferecer (não culpo os coitados, pois eu mesmo penso assim e devo dizer que curti tudo o que as férias puderam me oferecer). Fato é que não percebi o tempo passar nesses 10 dias (e só agora percebi isso).
Bom, pelo menos, no ramo profissional, agora posso dizer que estou mais tranquilo. Voltei a trabalhar no local ao qual fui destacado e espero não desapontar caso precisem de meus serviços novamente. Confesso que essa "quest" foi um tanto complicada, me fez perder alguns "itens" e gastar boas "potions de HP e MP", mas o resultado final foi legal e deu tanto "xp" que me fez "upar" uma "classe" para obter mais "gold" daqui pra frente. Agora serei secretário de um "Núcleo de Apoio à Pesquisa", uma espécie de setor "fantasma" que é sempre oferecido a alguém com disposição para receber um acúmulo de função, e embora a gratificação em "gold" não seja das melhores, o "xp" vai ser "ultra high" e talvez eu consiga "level" suficiente para upar mais uma "classe" ao fim de mais essa "quest".
Por hora, eu quero ir pra Formiga, abastecer meu S2 na "Wonderland", encher os olhos da mamãe com as novidades, jogar Pokémon TCG e lamentar o fato de não poder ir a São Paulo na semana que vem pra apanhar dos paulistas no campeonato estadual de lá. "Los Angeles" pode esperar. "Lo Angel", não.