segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sonhos

Uma vez, eu vi num desenho um cara falando que alguns sonhos predizem coisas e essa frase ficou martelando na minha cabeça. Acho interessante falar que o tal desenho chama-se Sakura Card Captors, que dentre outras doisas me lembra alguém muito especial para mim que todo mundo que ler isso saberá quem é (não, nem todo mundo vai saber, portanto, vou ter de revelar de alguma forma).
O cara que diz essa fala no desenho era um homem justo, quieto e solidário e era o amor platônico da personagem principal Sakura, que dá nome ao desenho. O problema é que esse cara vira um anjo no meio do desenho (ah, esses japoneses... tsc), o que abre uma interpretação para um monte de outras coisas que eu deveria esquecer.
O fato de eu falar isso aqui e agora é só para abrir uma metáfora sobre minha vida atual. Graças ao Bom Senhor, voltei a trabalhar nesta segunda-feira e já se passou quase uma manhã inteira sem o telefone daqui tocar (o que me fez vir parar aqui para escrever). Tenho sonhado incessantemente com um monte de coisas que resolvi deixar para trás e isso vem me dando mais vontade de voltar a viver minha vidinha incomum e intensa de antigamente, mas não dá. Deixei de lado muitas coisas que não podem voltar, pois eu sinto que se voltarem, vão me causar mais problemas.
Esse lance de mudança é que é a maior problema. Fernando Sabino, meu escritor predileto costumava dizer que "se mudou é porque não deu certo" e que "no fim dá certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim", mas o otimismo dessas duas frases contém uma sabedoria tão antiga quanto o próprio escritor. E isso me faz voltar aos antigos mais uma vez.
Nessa era de novos conhecimentos, novos costumes, novas histórias, eu às vezes me sinto um "fora de época", um antiquado que não abriu sua mente para as bonanças e prazeres do século XXI ou um cara que preferia viver na ingenuidade do século anterior sem se preocupar com o caos instaurado nesse mundo atual. Aqui em Belo Horizonte, há obras por todos os lados e as transformações no espaço urbano se misturam às transformações do meu ser. É tenso imaginar que aos 24 anos eu já realizei bem uns 60% dos meus sonhos, pois parece que a vida não tem mais sentido daqui pra frente.
Nessa hora, a vida toma formas diferentes. As coisas tomam formas diferentes. Mas a forma do ser permanece a mesma. É triste viver assim sem prognósticos, com restrições médicas, preocupando-se em primeiro lugar com a saúde. Tendo de pensar duas ou três vezes antes de tentar viver "Los Angeles". É triste, mas não há o que se fazer além de confiar que algum dia tudo isso passa. Essa sensação do "não há o que se fazer" traz uma impotÊncia tão gigante que abala as estruturas e não sara todas as feridas.
E aí eu sonho. E meus sonhos não predizem coisas, mas relembram cotidianos. As vozes de nossa mente que nos acometem antes de dormir ficam mais fortes. Então, eu finalmente durmo e acordo sem elas, sabendo que elas voltarão à noite. É um estranho cotidiano, mas é o mundo real. E no mundo real ainda dá tempo de ter sonhos, ou de predizer os sonhos que se quer ter.


Encontrei minha colega de trabalho estudando e isso me fez pensar no monte de oportunidades que perdi neste ano.

Um comentário:

Cida Leal disse...

Se, um dia, falássemos sobre essas páginas cinzentas, eu poderia contar-te de um sonho que tive. Tal qual um parêntese solto entre as palavras, cortou, por muitas linhas, meu texto ao meio, virgulando meu querer. Mas foi um parêntese, nada mais. Mas, não. Nunca nos falaremos sobre essas páginas cinzentas.