quinta-feira, 15 de julho de 2010

Você, a anarquia e o caos

Às vezes me dá vontade de fazer um post nada a ver. principalmente para externar os pensamentos que se ajuntam em minha mente. De vez em quando, sai uma coisa legal, isso serve de incentivo para que eu comece a escrever o meu romance. Mas enquanto não o faço, publico excertos que algum dia podem se unir numa bela história. Aqui vai mais um deles.

Eu acho que às vezes eu penso mais do que o necessário, principalmente, quando estou no meu quarto e não consigo dormir. Imagino coisas que nunca estiveram ali ou que eu queria que estivesse. Construo sonhos, imagino histórias, vejo sorrisos e volto então à seriedade fria do horizonte.
O papel branco imaginário na tela desenha o seu rosto em palavras. A pele branca e macia como seda, cabelos negros como a mais sólida rocha, olhos castanho-claros como duas amêndoas doces, a sobracelha fina e cuidada, reflexo da feminilidade adquirida ao longo dos anos. Sua vaidade não está no batom vermelho e sim nos seus adereços. O cordão de ouro que sustenta a medalhinha e um pequeno brinco com uma pedra incolor e brilhante, às vezes folheado a ouro, mas nunca imitando a prata, detalhes para dar brilho ao rosto sem vida de outrora.
Carrega consigo um vasto e infinito oceano ao longo do continente de suas lágrimas, coisas que poderia ter evitado, ela imagina. Dera a muitos o direito de amá-la, hoje se preserva de oferecer o que já lhe tiraram. Impressiona a todos com seu jeito doce de ser e cativa profundamente a alma carente que a encontra. Essa explosão de sentimentos de outrora não passa de um pequeno suspiro daquilo que ela tenta esconder e todos que a olham sempre perguntam: "Quem ela vai amar?"Alguns andam pelas ruas estúpidas na esperança de encontrá-la. Outros ainda esperam que ela os encontre.
Do outro lado da rua, uma garota espera na janela. A pele morena e suave sob cabelos castanho claros e olhos negros como a mais bela pérola perdida no fundo do mar. Uma leve vaidade expressa em ações e não adereços. Pretende ajuntar em seu continente as lágrimas que puder derramar uma boa alma. Sua casa parece ter paredes mas não se pode ver o chão. Muros tortos parecem divisar um mundo erguido pelo empirismo de sua mente sem limites. A curiosidade me leva até a porta de madeira escura, mas por um momento hesito. Olho para trás e vejo o rosto em palavras.
Deus, se eu estiver transbordando em felicidade, seria possível essa felicidade derramar?

Um comentário:

Thlls disse...

muito bom!
adorei os parafraseamentos