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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

A primeira formatura da Luísa

Hoje Luísa se forma na Educação Infantil. Em breve ela dará adeus ao parquinho, às professoras, a alguns coleguinhas e passará a viver as intempéries do Ensino Fundamental. Vai trocar o parquinho pela quadra, a recreação pelo esporte e as tarefas de colorir pelas temidas provas. É uma mudança essencial e eu espero que ela não sofra com isso.
Hoje é um dia de festa! Dia de trocar o uniforme pela roupa customizada, dia de celebrar todo o percurso que começou lá atrás, quando ela foi para a escolinha pela primeira vez, dia de festejar as vezes que derrubamos uma lágrima no portão da escola quando ela não queria ficar. Hoje é dia de colher os frutos dessa jornada e celebrar o quão edificante ela foi para todos nós.
É dia de festejar, de se emocionar e de não guardar em si o que se sente. E imaginar que ela um dia era só um gergelim! Hoje canta, dança, pula e corre, feliz quando está bem. Um dia me disseram: "Suas crianças são felizes, isso é muito importante", jamais esquecerei! Pois seja feliz, filha, celebre este dia e não perca a alegria, pois o papai sabe o quanto é difícil perder as coisas...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Lentilha

Lentilha,

Não sabemos se você é Francisco ou Clarice, mas já temos seu nome. Esse apelido provisório representa o seu tamanho quando descobrimos sua chegada. Mamãe ficou feliz quando soube da notícia. Eu também fiquei, vou lhe confessar, mas tudo se intensificou quando ouvimos o seu coração bater. Mamãe pensava que você estava nos deixando e não esperávamos que você já teria um coração quando descobrimos.
Sua irmã aguarda ansiosa a sua chegada. Ela quer que você chegue logo para poder brincar (e brigar) com ela. Ao contrário de sua irmã, você ainda não fez mamãe vomitar, continue assim. Não nos preocupe ainda na barriga de sua mãe, pare de fazê-la sentir dor agora para que ela possa finalmente sentir as dores no prazo certo.
Queremos que você venha completar nossa família. Para você ficar com vontade de morder as peças de Lego da sua irmã, enquanto estivermos brincando e pedir para ela mudar o desenho da Peppa Pig, só porque você quer ver o Bita (ou qualquer outro). E ainda vai querer morder os controles do nosso videogame enquanto sua irmã ganha do papai no Mariokart.
Enquanto não sabemos se você é Francisco ou Clarice, vamos preparar nossa casa pra te receber, Lentilha. Só não sabemos ainda se ela vai ficar cheia de estrogênio ou se você irá balancear a taxa de hormônios com o papai. Nossa casa já está cheia de bonecas para a sua chegada, mas se for preciso, compraremos alguns Hotwheels para você jogar na sua irmã enquanto vocês brincam. Será que você vai gostar de dançar a música do Dinossauro conosco? Talvez você prefira a música do espaço ou do monstro (e vai ser difícil trocar entre uma e outra).
Por hora, o único item que você tem é o sapato de crochê da vovó. Ela fez exatamente a mesma coisa para receber sua irmã. Espero que você chegue logo para construir lembranças com ela assim como sua irmã têm feito. E a sua tia será sua madrinha, não esqueça de enchê-la e beijos e abraços (porque ela não hesitará em fazer isso).
Lentilha, você vem para nos transformar em melhores pessoas. Esperamos não cometer contigo os possíveis erros que cometemos com sua irmã, mas não se preocupe com isso. Você não tem somente duas pessoas te esperando e sim três. Não nos deixe preocupados, venha assumir o quarto controle do nosso videogame.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Despedida da juventude

Quando vim morar em Belo Horizonte eu tinha uma banda. Ou melhor, eu participava de uma banda, pois a banda não tinha dono, era somente um movimento musical independente como qualquer outro que vira e mexe insurge no local onde vivi minha juventude.
A banda surgiu em um fim de semana, como qualquer outro movimento musical que aparece, desaparece e ninguém fica sabendo. Tínhamos um menino do violão e ao redor dele me aproximei ao lado de outro amigo. Tocávamos as músicas que ouvíamos, na contramão da música popular que entope as rádios e gira o comércio. Mas tudo começou quando veio aquele MP3.
Aquele MP3 tinha um nome: "Ah se eu pudesse". Aquilo me impôs um desafio muito grande. Embora eu fosse filho de um intérprete/cantor, eu não tinha talento para a música. Não tenho para a música o mesmo talento que tenho para a escrita, mas naquela época isso não era evidente em mim. E aquele MP3 gravado em casa pelo moço do violão tinha dois violões, dos quais eu fui extremamente intimado a reproduzir no teclado Cássio quatro escalas nada profissional que hoje está nas mãos de um músico de verdade.
Quando vim morar em Belo Horizonte não senti a mesma pressão daquele dia. Não. Aquele dia me impôs uma tarefa cuja habilidade eu não tinha para completar. Estudei o máximo que pude para reproduzir aquele som simples e por mais que nós ensaiássemos muito, na hora do vamos ver, eu sempre embolava aquele toquinho.
Fizemos um show... dois... três... A música foi se transformando... E embora eu me sentisse parte dela, não sentia posse sobre aquele material como sinto posse sobre meus livros. Aquela música que ainda hoje permanece guardada no meu computador faz parte da minha história. Somamos outras pessoas para executar aquele som mais algumas vezes até que chegou o dia do meu último show.
E no dia do meu último show, na véspera de eu me mudar para Belo Horizonte, eu não tive a coragem de comparecer. Hoje me arrependo amargamente disso, pois anos mais tarde descobri que a galera tinha preparado uma festa para festejar minha despedida. Frustrei a expectativa de muitas pessoas que me esperavam naquele dia, mas frustrei o sonho do menino do violão, que queria me ver executando aquele som pela última vez. Chegou um dia em que o amigo que tinha se juntado a mim e o moço do violão também teve sua festa de despedida e eu não estava presente. O moço do violão continuou a produzir música com outras pessoas e um dia teve a sua própria festa de despedida.
Nesse meio tempo, a música foi gravada e hoje está disponível no Spotify, (não na versão original, é claro). Você pode ouvir procurando TriadeRock nesse aplicativo de música. O moço do violão tornou-se escrivão da Polícia Civil e parou de compor. "Ah se eu mudasse o vento, se eu parasse o tempo, se eu tivesse um senso... Nada mais de errado eu faria, essa dor estaria controlada em mim. Mas não dá pra prever o futuro. (...) E se o que eu digo não fizer nenhum sentido, terei sempre você[s] comigo".

Para Vitor Freitas e Lincoln Sette

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Opinião

Perdi a capacidade de de opinar. Talvez não tenha perdido a capacidade, só a vontade mesmo. Já faz alguns dias, venho me sentindo sem vontade de escrever ou de conversar. Não tenho emitido sequer sinais de fumaça. Não sei o que está acontecendo, quero ficar só.
Enquanto isso, minha filha cresce. Luísa cresce como um broto de feijão daqueles que a gente plantava na pré-escola. Antes, ela cabia no meu peito enquanto eu jogava videogame e hoje não consegue ficar parada quando eu pego um controle. Mesmo que ainda não saiba jogar, e que não tenha coordenação motora para isso, ela se diverte pegando os controles do Wii U e jogando eles de um lado para o outro. Ainda bem que eles tem uma proteção emborrachada antiqueda, mas ainda acredito que ela vai estragar um deles.
Meus melhores dias nos últimos tempos foram minhas férias onde eu acordava todo dia às 8 da manhã para ficar com ela vendo desenho até a Luana decidir que já tinha dormido o suficiente. Eu levantava todo dia de manhã com Luísa, íamos para a sala de televisão, ligávamos o televisor no Cartoon Network e ficávamos assistindo os desenhos da grade matinal. Era uma coisa que eu mesmo fazia quando era pequeno, acordar pela manhã e ir assistir desenhos. Acho que passamos para os filhos um pouco do que éramos quando crianças.
Sinto falta desses dias, embora repita essa rotina sábado e domingo, mas a labuta diária não me permite fazer isso mais. Às vezes, tenho inveja da Luana quando ela posta uma foto com a Luísa. Sinto que estou perdendo o desenvolvimento dela. Há alguns meses, ela era só um Gergelim e agora já engatinha a casa toda. É preciso aproveitar cada momento, cada fase, cada aprendizado. E eu espero que ela aproveite também.

domingo, 8 de outubro de 2017

O lugar errado na data errada

Descobri que virei um chato. Já não sou mais tolerante a certos estilos musicais, já não tenho paciência para os embalos da juventude e não consigo mais aturar festas. Pode ser só coisa da idade, mas um acontecimento nesse fim de semana me fez pensar essas coisas.
Estávamos em Formiga de visita na casa da Kelly quando decidimos colocar a Luísa pra dormir. Ela adormeceu às 22h e nós decidimos deitar na sequência, pois no dia seguinte era seu batizado e tínhamos que levantar cedo.
Às 23h começaram a chegar algumas pessoas no vizinho para uma balada. À meia-noite em ponto eles ligaram um som alto tocando funk proibidão. Às 0h50, liguei para a Polícia Militar informando o caso. O policial militar que atendeu disse que só enviaria uma viatura se fosse registrado um Boletim de ocorrência de modo que passei meus dados para que eles viessem resolver o problema.
Minutos depois chegaram os guardas. O policial, conciliador,  conversou com as duas partes enquanto a vizinhança, que também já tinha ligado para a Polícia sem coragem de registrar um boletim de ocorrência, saía às ruas para ver o bafafá.
O dono da casa onde a festa acontecia  alegou que era aniversário da filha e que não tinha intenção de incomodar os vizinhos que se tivéssemos pedido antes ele teria abaixado o som ele mesmo. Novamente conciliador, o policial explicou que se fizéssemos o boletim de ocorrência, eu teria de comparecer a pelo menos três audiências e o dono da casa pagaria uma multa de de R$1080,00 porque a promotora da cidade não perdoaria essa situação.
Coloquei-me na situação do senhor. Era aniversário da filha, mas o batizado da minha filha no dia seguinte. Luísa dormia plena enquanto a festa acontecia. Fiquei imaginando se eu seria mais tolerante se o estilo musical fosse outro. A festa poderia ter começado mais cedo e acabado antes de um horário plausível. Fiquei pensando se na minha juventude eu promovia ou participava de festas em áreas residenciais até altas horas da madrugada.
O policial havia feito seu trabalho e me convenceram a ser tolerante. Os jovens continuaram a festa com o som baixo e a viatura foi embora.
Não consegui dormir depois disso. Senti que as leis do nosso país são um lixo. Senti que a educação que os pais dão aos seus filhos é completamente inválida. Tive medo de falhar como pai um dia. Mas talvez eu esteja só virando um chato mesmo. E tudo que eu escrevi aqui não passou de um gasto de tempo (para mim e para você, leitor).

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Gergelim

Gergelim,

Não sabemos se você é Luísa ou Fernando, mas já temos seu nome. Esse apelido provisório foi uma forma carinhosa que encontramos de lhe chamar. Mamãe entrou em parafusos quando soube que você estava na barriga dela. Eu também entrei, vou lhe confessar, mas todos os parafusos se apertaram quando ouvimos o seu coração bater. Quando vimos que você não era mais um gergelim, nossa vida mudou.
E mudou para melhor. Nos sentimos mais completos. Queremos que você chegue logo para alegrar nossas vidas. Descobrimos que o único jeito que você tem de se expressar é fazendo a mamãe vomitar aquilo que ela comeu. Acredite, Gergelim, não é uma forma de expressão muito legal, mas compreendemos que você queira interagir conosco.
Queremos que você venha logo para participar das nossas contemplações diárias. Para ficarmos olhando o tempo passar, enquanto você cresce na velocidade da luz. Já estou preparando o terceiro controle do videogame, embora saiba que você vai demorar muito tempo até conseguir jogar. E com certeza vai ganhar do papai muitas vezes.
Enquanto não sabemos se você é Luísa ou Fernando, vamos preparar nossas vidas despreparadas pra te receber, Gergelim. Só não sabemos ainda se ela vai ficar mais rosa ou mais azul. Se a nossa casa vai se encher de bonecas ou carrinhos. Se vou ter de comprar mais jogos de princesas ou de super-heróis. Mas ainda assim, você irá transformar nossas vidas, Gergelim.
Por hora, o único item que você tem é o sapato de crochê que a vovó lhe deu. Ele já está guardado para você. E não se preocupe, ele não é rosa nem azul, portanto você vai poder usar independente de ser Luísa ou Fernando. E já estamos à sua espera, com ele às mãos, ansiosos pela sua chegada.

sábado, 11 de junho de 2016

Lançamento em Formiga e o que mais esperar

Dia 28 de maio, foi o lançamento da minha obra "O Mistério da Mata da Alpineia - Laços de Sangue" na minha cidade natal, Formiga-MG. O evento aconteceu na sede do COLECULT, um coletivo cultural responsável por realizações culturais no município. Foi muito legal, fui prestigiado por muitos escritores do Clube Literário Marconi Montolli (CMLL) e da Academia Formiguense de Letras (AFL), o que me deixou muito feliz, mas nada foi mais alegrante do que a presença dos poucos amigos que puderam comparecer. Tenham a certeza de que vocês se tornaram ainda mais especiais para mim por terem dedicado um pequeno e precioso tempo do seu sábado de feriado prolongado para ir lá me prestigiar. Obrigado de coração!


Queria deixar aqui registrado, o meu agradecimento à Jucielle Leal, a Ju, minha revisora, que fez questão de comparecer ao evento. Você foi essencial para melhorar as palavras desse texto e eu gostaria muito de trabalhar contigo numa próxima oportunidade. Vou escrever uma continuação, então já se prepare, pois precisarei de você mais uma vez!
E agora a novidade! Sim, eu vou escrever uma continuação da história. Não era minha intenção fazer isso no começo, mas os feedbacks que eu tenho recebido estão sendo fenomenais! E estão me fazendo pensar um monte de coisas que eu poderia ter explorado nos meus persongens. Não dá pra explicar como acontece, as histórias simplesmente surgem na cabeça e dá vontade de contar, é muito louco isso!
Isso só foi possível graças às técnicas de construção de personagens aprendidas nas diversas oficinas que eu já fiz. Lembro direitinho do Vitor Caffagi dizendo que quando você constrói uma história se baseando na personagem, fica muito mais fácil aproveitá-la depois em outros contextos e isso ficou evidente depois da publicação de "O Mistério da Mata da Alpineia". As histórias nas quais as personagens podem se envolver são muitas e cada vez mais me dá vontade de contá-las!
Por hora, a grande dificuldade é colocar o livro nas livrarias, mas como diria Fernando Sabino "A única forma de resolver um problema nosso é primeiro resolver o do outro". Quando tudo se acertar, as coisas vão dar certo.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Os primeiros empecilhos

Faz pouco mais de um mês que "O Mistério da Mata da Alpineia" foi lançado e eu estou encontrando enorme dificuldade para colocar o livro nas livrarias. Nesse ponto, a falta de uma editora é realmente um ponto que pesa, mas vou compartilhar uma experiência que me serve de exemplo.
Fernando Sabino, que, segundo alguns autores, chegou a ser o segundo escritor mais vendido no Brasil na década de 80. Ficava atrás apenas de Jorge Amado, que era promovido pela Globo com dezenas de novelas. Sabino também iniciou-se na literatura pagando a publicação de seu primeiro livro. Ele mesmo o admitiu em "O Tabuleiro de Damas", seu esboço de autobiografia: "Marques Rebelo me ajudou a publicar na Editora Pongetti, em 1941, meu primeiro livro, 'Os Grilos não Cantam Mais'. Título longo, como se usava na época: '...E o Vento Levou', 'Como Era Verde o Meu Vale', 'Doutor, Aqui Está o Seu Chapéu'... Paguei a edição de mil exemplares com a minha parte no produto da venda de um lote, que meu pai dividiu entre os seis filhos." (SABINO, 2003, p.34-35)
E anos depois ele se tornou o segundo autor mais lido no país sem a promoção do canal de televisão mais influente do Estado. Hoje, eu tenho o prazer de viver na cidade onde ele desenvolveu seus primeiros esboços e confesso que é meio louco quando eu ando pela Rua da Bahia ou pelos arcos do viaduto Santa Tereza pensando que por ali passavam os Quatro Cavaleiros, como se autodenominavam Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.
A literatura é um ramo difícil como qualquer outro, nem por isso me faz desistir. Confesso que esperava vender muito mais na Bienal do Livro de Minas e também obter o apoio da Prefeitura de minha cidade natal para um lançamento in loco, mas num país onde a Cultura é ameaçada de extinção pelo novo presidente, podemos esperar que o discurso seja reproduzido nos níveis mais baixos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O poder feminino

Pensem que os homens tenham foça para carregar uma arma em suas mãos, mas somente uma mulher terá o poder de lhe derrubar. Pensem que as mulheres não tenham destreza para manejar as mesmas armas, mas elas manejarão o seu coração. Uma mulher tem o dom de fazer um homem cair de joelhos e feri-lo no fundo da alma da mesma forma eu pode conquistá-lo em seu mais íntimo pedaço.
Um desses homens caiu perante uma delas e desistiu de seus sonhos de seus sonhos, subtraindo-se ao fosso de si mesmo. Outro deixou suas armas na praia e partiu em nado raso rumo aos seus sonhos, mas as visões dela não lhe permitiram nadar com consistência. Em meio às turbulências, o jovem caiu nos encantos da sereia e seus sonhos se desvaneceram.
Mulher, é teu o poder de fragilizar a mais forte máquina humana do homem, o coração.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre livros e marcadores

Faz um tempo, venho frequentando eventos literários no âmbito de Belo Horizonte. Há projetos interessantíssimos que merecem destaque como o Clube do Livro, que realiza encontros bimestrais sobre tópicos variados relacionados ao mundo dos livros e da literatura. Mas uma coisa que muito me chamou a atenção nesse meio é a paixão dos fãs pelos marcadores de livros.
Isso remete a um hábito antigo que é o de colecionar. É muito semelhante ao pessoal que colecionava cartões telefônicos, já no idos anos 90, ou mesmo as figurinhas, outro hábito ressuscitado com o álbum lançado na época da Copa do Mundo no Brasil. O interessante sobre os colecionadores de marcadores é que há aqueles que passam semanalmente em livrarias recolhendo as premiéres das lojas para compartilhar com os amigos.
Não sei por que decidi falar sobre isso nesse blog já falecido, mas achei interessante registrar o assunto para uma época futura, bem como outros assuntos registrados aqui. E se você caiu de paraquedas nessa postagem e quiser dar uma vasculhada nas postagens, sinta-se à vontade! Esse é um espaço literário também.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A rival da minha mãe morreu

Tenho pensado muito em morte ultimamente. Não sei se isso reflete o medo que tenho de morrer ou se reflete o medo que tenho de pessoas queridas morrerem. Mas, porém, todavia, contudo, entretanto... pessoas morrem... por vários motivos.
Da mesma forma que pessoas nascem. Todos os dias. Fico triste por minha "eterna" chefe estar com o marido no hospital, sofrendo de cirrose sem nunca ter sido um cachaceiro nato. Fico imaginando que meus problemas mentais são nada perto disso e me sinto um lixo. Tem pessoas que realmente têm problemas de saúde, cara, e eu fico aqui divagando... pensando em quem a Dona Morte pode levar desta vida... pensando no trecho de Shakeaspere, em Hamlet:

"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação."

(Tradução de SILVA RAMOS, Péricles Eugênio da. Hamlet. Editora Abril, 1976. Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ser_ou_n%C3%A3o_ser)


Sim. A Marildinha morreu... Nunca imaginei que a morte de uma pessoa fosse causar um sorriso na minha cara. Mas causou... O choro contido de meu pai, presenciado por uma de minhas irmãs num mercadinho da cidade de Formiga, não foi suficiente para eu ter dó daquela com quem meu pai traiu mamãe durante uma vida inteira. Homônimas ainda por cima! Arremato o texto autoral com o comentário de minha mãe sobre o caso: "Eu e a Marilda votávamos na mesma seção e nunca sequer nos encontramos". Desejo sinceramente que ambas não se encontrem nunca mais...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Metralhadora de pensamentos soltos

Eu poderia começar esse post dizendo que vem aí o verão, mas plagiar os Beatles não é a minha intenção (não neste momento). Fato é que o verão vem chegando mesmo e depois de muito tempo voltou a chover nas Minas Gerais, agora vem aquela época em que todos clamam por uma praia de qualquer tipo. A minha, se Deus permitir já está garantida em dezembro.
Eu quero permanecer mágico, eu quero permanecer jovem, mas infelizmente hoje sou mais do que queria ser ou exatamente aquilo que procurei ser. Durante muito tempo da vida fui um cara careta por pura opção. Fiz escolhas, decidi escolher e trilhar meus caminhos, mas não descansei. Agora descansei além da conta. É hora de voltar e assumir, ou reassumir, a vida, pois se você é jovem ainda, amanhã velho será.
Cada dia é uma luta e isso também é um fato. Agora antes de dormir ao som de minha banda predileta, disparo essas palavras para expurgar de minha mente os pensamentos que me consomem, rezando para que as pessoas em quem eu penso parem de se propagar na minha mente.
Vivo um conflito mental que me leva a sangrar nesse buraco de lugar. Sangro silenciosamente em meu leito. Procuro um conhecimento do qual posso não merecer, mas não deixo de desejar. Minha metralhadora pessoal é meu cerne, meu âmago se faz na noite. Queria não ser uma vítima dos anestésicos mas, infelizmente, não tem jeito. Quero afastar um mundo vivo que impera em meu interior e não consigo retirar de mim. A cobrança é muita.
Nasci pra ser alguém na vida e esse alguém se faz presente em mim. Não posso deixar estas palavras que vagueiam neste espaço virtual e é por isso que eu o abraço ainda. A expectativa de dias melhores convive no meu íntimo, com a certeza de que, cada vez mais, um dia após o outro, serei uma pessoa melhor. Isso me faz sentir como uma barricada para manter afastado todo o tipo de mal.
Quisera eu não treinar meus olhos para a política, mas eles existem, treinados ou não, permanecem em meu crânio. Quisera eu arrancá-los ou simplesmente consertar este problema de visão, mas não tem jeito. Cobras e ladrões também precisam de casas e eu preciso da minha. Estou preparado para o retorno a todo o vapor. Posso conhecê-los, mas sempre direi que são uma revelação nas nuvens, porque este sim sou eu.
Sigo a todo vapor, metralhando este teclado na calada da noite, porque sou levado a isso. Peço a Deus que me perdoe caso esteja errado. Peço a Deus que me dê a paciência para seguir em frente. E aguardo seu retorno. Porque este é o ego que espera confiantemente ter um bom verão.

domingo, 11 de setembro de 2011

F5 ou atualização de "coisas" em uma cabeça estranha

Escrever é uma arte. Escrever para que os outros leiam é ainda mais gratificante. Hoje, eu deveria estar em Ouro Preto/Mariana participando de uma Semana de Música Antiga, mas a falta de maturidade falou mais alto. Quis assumir quinze mil compromissos, fiquei assombrado com coisas "normais" numa cidade grande e carreguei uma enorme responsabilidade por cima dos meus ombros. Hoje concluí, não dá, galera.
Ninguém pode ser o super-homem e se você escutar aquela música do David Bowie e sair acreditando que "nós podemos ser heróis, somente por um dia" você pode se ferrar. O máximo que você pode fazer é inventar um super-herói imaginário que venha a ser um herói para as crianças como um Harry Potter foi pra mim um dia. Existe sim uma linha tênue entre acreditar ou não nessas histórias e quando elas se misturam muito com a sua vida comum de alguma forma é realmente intrigante.
Antigamente, a vida podia imitar a arte. Hoje a arte imita muito mais a vida do que o contrário. As novelas mostram um cotidiano tão próximo de qualquer realidade que prendem telespectadores em várias partes do país (mas eu não tenho paciência pra ficar assistindo essas coisas). Os seriados americanos não fazem nada mais do que as novelas, mas muita gente acha mais "interessante" porque não são produções brasileiras recheadas de atores que aparecem no programa "Estrelas" da Angélica qualquer dia e ainda há a facilidade de você "baixar" quantos quiser e puder pela internet.
Hoje, escuto Bloc Party lembrando daquele show épico, pelo qual eu e o Marcelo Rodarte esperamos atônitos, com uma ideia muito diferente. Alguns até hoje me zoam por eu ter perdido os Breeders para ver o baixista do Bloc Party reciclado entre um instrumento de cordas e um teclado só para poder ouvir "Banquet", mas eu não me importo. Eu me importo muito mais de não ter conseguido uma entrada para ver Strokes e Interpol do que de ter ido àquele ridículo show do Bloc Party, porque isso sim sou eu e é algo que não vai mudar.
Eu até tinha vontade de ir ao Rock'n'Rio para ver o Coldplay, mas quando vi que confirmaram Frejat e Skank no mesmo dia, desanimei. Nesse nível, um show do Padre Fábio de Melo me atrai muito mais. Ainda mais que Coldplay já faz parte de um cotidiano antiquíssimo, o qual eu não deveria nem me lembrar neste momento.
Hoje vivo para esquecer cotidianos outrora perniciosos à minha pessoa. Vivo. Como um humano normal, humano demais pra compreender esse jeito que Deus escolheu para amar seus filhos. No entanto, é graças a Ele que também compreendo minhas confusões mentais. Posso ter trocado o santo protetor, mas a fé continua a mesma. Fato é que cansei de ser uma "doce criança no tempo, que verá a linha que passa entre o bem e o mal". Um dia posso até vir a ser um "homem cego, atirando para o mundo", mas eu não acredito que Deus tenha sido mau com seus filhos, nem que venha sendo "ruim ao guiar pelo alto" como um dia Jhon Lord escreveu naquela música do Deep Purple. Deus é um cara legal e se ele tem nos convocado para ser "anjos" por Ele na Terra, nós devemos fazer bem o nosso trabalho. Não falo em ser um cara puro, nem um "Mister Clean", mas um homem justo na medida certa.

***

Estamos em 2015 agora. O Interpol voltou ao Brasil e mais uma vez eu não fui a show...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Ordem da Fênix e os Deuses do Aço

Não posso parar de escrever. Descobri isso em meu íntimo. Descobri que Deus pode ter um nome se você quiser. Descobri que Seu filho pode se chamar "Ajuda de Deus" (com o verdadeiro nome Dele, se você quiser). Descobri que vivo entre esquinas e sinais fechados. Descobri que me falta alguma substância (do qual eu sequer me lembro o nome) no cérebro. Descobri que poucos se importam com as sirenes que cortam o trânsito. Descobri que anjos podem existir, mas que é difícil ser um. Descobri que a fé, a verdadeira fé, a gente carrega em si mesmo.
Mas a hora de descobertas terminou. É hora de viver sem o mal por perto pra se esconder. É hora de viver o melhor de si para poder ser o verdadeiro "Senhor Limpo". Que o Espírito Santo me guie nesta nova caminhada, amém.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Influência Musical

Atendendo a pedidos, vim explicar algumas coisas sobre o microconto(sco) sobre duas pessoas nada a ver que escrevi em três partes nesses últimos tempos. Vou começar dizendo porque resolvi escrevê-lo desta maneira. Na verdade, quem acompanha este blog retardado da internet, sabe muito bem que eu costumo falar em rodeios sobre coisas que tem me atormentado. E de certa forma, alguns até têm medo de quando eu começo a falar assim, pois temem que entre novamente em depressão e vá parar no hospital. Gente, eu fui para no hospital por falta de sono e se vocês ainda têm algum tipo de preocupação a esse respeito, perguntem ao Gabriel, o Téia, Thlls ou Saimon se eu continuo tendo problemas com sono.
Enfim, é fato que algumas coisas me atormentaram esses tempos, principalmente depois da Festa da Cerveja. Eu queria dividir isso com alguém e o fato de dividir isso com alguém que eu gosto muito me fazia pensar em querer ter essa pessoa ao meu lado, embora soubesse muito bem que tal pessoa não estivesse afim disso. Foi aí que começou a história.

*Os títulos dos posts fazem referências às bandas que eu estava escutando no dia em que fiz cada post. "Você, a anarquia e o caos" exprime explicitamente a referência ao Anarkaos, principalmente pelos trechos "Sua vaidade não está no batom..." e "todos que a olham sempre perguntam: 'Quem ela vai amar?'", que são trechos de uma música da banda que (putaquepariu) eu não lembro o nome agora. Outro trecho faz referência à música "Tão doce, tão amargo" do segundo CD da banda que diz "Ando pelas ruas dessa cidade estúpida na esperança de te encontrar" ("Alguns andam pelas ruas estúpidas na esperança de encontrá-la."). Mas o início do post, bem como outras partes dele, foram retiradas de músicas da cantora japonesa Yui (aqui em referência num trocadilho com "you", o que nos leva a um título como "Yui e Anarkaos", depois de fazer toda essa analogia), onde ela diz "Eu acho que eu penso mais do que o necessário no meu quarto quando não consigo dormir" (trecho inicial da música Skyline).
*Eu decidi juntar as partes das letras pra fazer um post como se estivesse pensando em uma mulher e tentando descrever sua fisionomia em palavras (o "rosto em palavras" do texto), o que não representa 100% o rosto verdadeiro da minha "musa inspiradora" ou como eu gostaria que fosse o rosto dela, enfim.
*A "garota que espera na janela" era uma referência à minha vontade de encontrar um outro alguém com quem eu pudesse partilhar meu cotidiano, sem ter que vir aqui escrever coisas nada a ver, mas no início ela não representava ninguém em específico.
*O segundo post foi escrito ao som de Asian Kung Fu Generation (a "Geração das artes marciais") e Interpol (o "interpoladas" do título) e trechos como "Cansou-se de ver o amor e seguí-lo na velocidade da luz. Sim, o truque é ir com calma" ("I've seen love and I follow the speed of the starlight" - trecho de Pace is the Trick, do Interpol) e "Com certeza, um dia..." ("Negau yo kitto itsuka" - trecho de Understand, do Asian Kung Fu Generation) são referências a essas bandas.
*O segundo post só foi escrito porque a "garota que espera na janela", que antes não representava ninguém em específico, como eu disse anteriormente, passou a representar alguém (sim, é você leitora anônima que comenta ocasionalmente), por isso, ela estava dentro de casa e o rapaz "queria entrar, mas tinha medo", pois eu ainda não lhe conhecia muito bem e ficava sempre imaginando coisas que talvez nunca acontecessem, embora tenham acontecido depois. A vontade de "correr para o rosto em palavras" representava o realismo que não dava garantia nenhuma de que algo fosse mesmo acontecer, embora tenha acontecido algo depois.
*O terceiro post foi feito ao som de Ludov (que aparece no trocadilho "Veja o ludo", embora eu tivesse pensado em algum anagrama como Veludo, Vê Ludo ou Ludo Vê) e MopTop (que eu coloquei como "topo do míope" exclusivamente por falta de criatividade na hora, porque agora eu percebi que essa analogia ficou uma merda), mas a influência musical dessas bandas é bem menos evidente, pois ao contrário dos outros posts, esse não foi feito com base nas músicas das bandas e as poucas referências que eu usei foram só pra manter o estilo mesmo.
*O nome dos personagens foi um problema. Assim como o Lalinho, sempre tive dificuldade em invetar nomes para personagens masculinos, até porque se eu colocasse o nome de algum amigo/conhecido meu, muitos iam pensar que o personagem da história era ele ou que era querendo ser o meu amigo ou algo do gênero, o que realmente não tem nada a ver. Pensei em usar Eduardo, porque a gama de "Eduardos" que eu conheço é mínima, mas aí eu lembrei que esse era o nome do personagem principal do "Encontro Marcado", de Fernando Sabino, então deixei a ideia de lado. Aí acabei em Paulo, pelo mesmo motivo que tinha escolhido o nome anterior e dessa vez não fazia referência nenhuma a qualquer livro ou história que eu tenha lido anteriormente e gostado o suficiente pra lembrar.
*Depois de pensar muito para escolher o nome do personagem masculino fiz o caminho completamente inverso para escolher o nome do personagem feminino e coloquei de cara o nome que mais têm me ocorrido quando eu conheço uma mulher nos últimos tempos: Marina. Todas as Marinas (e suas variantes tipo Mariana, Maria, Ana, Ana Maria) que eu conheço, são mulheres que eu prezo por demais e admiro bastante por alguma razão.

Isso me deui saudade da Mariana Mara, da Mariana Ester, da Anna Karenina e da Roberta. Da Ana Maria eu já matei essa semana. Queira protagonizar outra história como aquela "Picante ao extremo"...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Veja o "ludo" no topo do míope

III

Quando viu a porta se abrindo dezenas de coisas passaram pela sua cabeça. Será que tinha chamado atenção demais? Será que ao menos havia tocado a campainha antes de tentar abrir a porta? Fora tão afoito a ponto de se esquecer de uma premissa básica dessas? Aliás, por que ele havia desistido do encontro, se havia alguém o esperando naquela casa? Voltou a si, lembrou-se de onde queria chegar.
- Paulo, há quanto tempo você está aí? - perguntou a moça da janela.
- Acabei de chegar - mentiu o rapaz.
- Pois é, e está atrasado né, bonitinho?
- É que... bem... você sabe... sou muito ocupado - na verdade, nem era, mas fora a primeira desculpa esfarrapada que apareceu na sua mente naquela hora.
Marina, que sabia muito bem que ele não era um rapaz muito pontual, deu uma de que aceitara as desculpas com um simples gesto de cabeça. Decidiu esquecer também que o havia visto chegar pela janela, pois também nem sabia se era ele mesmo que havia chegado naquele momento, devia pensar tanto quanto ele, ou um pouco mais, quando viu o homem pela janela. Também não quis admitir que esperou que ele tocasse a campainha para sair correndo feliz quando ele o fizesse, nem que pensou ter escutado o som dele junto à porta, afinal, não tinha plena certeza de que era ele quem ela viu enquanto se afundava em pensamentos "nada a ver" como ela mesma dizia. tentando fugir do país que vivia buscando o seu "qualquer outro lugar". Achou muito estranho ter encontrado ele justo na hora que decidiu abrir a porta devido à sua demora, mas preferiu pensar que foi a ligação que os dois tinham que a levou até a porta justo no momento em que ele chegava.
Ela gostava dele como se o tivesse conhecido no pré-primário. E, no entanto, haviam se conhecido a pouco tempo. "Esse negócio de gostar é relativo. Eu posso conhecer uma pessoa desde o primário e ao contrário de gostar dela, odiá-la desde o primário também", respondia quando alguém fazia uma comparação desse tipo. Era imediata, gostava de resolver as coisas e exprimir seus pensamentos na hora, embora pensasse muitas vezes antes de emití-los e imaginasse dezenas de possíveis resultados sobre as coisas que falava.
Paulo, do contrário, era mediato. Dependia muito das outras pessoas para exprimir uma opinião e, em muitas das vezes, acabava concordando sem pensar com um "É verdade..." para depois pensar melhor sobre a questão. Naquela noite, havia combinado de sair com Marina, mas no meio do caminho, veio pensando dezenas de coisas até se esquecer do que viera fazer ali na casa dela aquela noite. Lembrou-se somente quando ela abriu a porta para impedí-lo de ir embora, por mais que não tenha sido essa a sua motivação para abrir a porta (no que ele preferia pensar).
- Então? Vamos? - perguntou-lhe o rapaz oferecendo os braços à jovem.
- Vamos - respondeu Marina num sorriso.
E os dois saíram caminhando pela rua à procura de uma diversão que somente os dois poderiam ter juntos. Como num reflexo, Paulo olhou o outro lado da rua. O rosto em palavras não estava lá mais. Aliás, ele estava antes? Percebeu que tudo aquilo era apenas uma invenção de sua mente mirabolante. Na verdade, não havia ninguém ali. Ao contrário de Marina, que realmente o vira chegar pela janela.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Wondefull

Por mais que o tempo esteja passando lento como o cair de areias de uma ampulheta, esse fim de semana foi tão rápido quanto o disparar de uma flecha. Quando surgiu o assunto sobre o Futiract em Pains, pensei seriamente em não ir, mas de certa forma, eu sabia que algo maior me faria ir até lá e curtir com os meus amigos as benéfices que a festa poderia nos oferecer. O estopim para isso foi a Mariazinha, que eu adotei carinhosamente como a minha "segunda mãe na Cidade das Areias Brancas". Se não fosse ela, provavelmente eu teria ficado em Formiga e sabe-se lá o que eu iria fazer para matar o tempo, antes que ele me matasse.
Enfim, parti para a casa da Paty logo cedo para esperar a Little Blood Mary e a Dona... (cara, juro que tentei lembrar o nome da mãe da Paty, mas é uma coisa tão incomum que eu confesso que não entra na minha cabeça de jeito nenhum) me pegou numa conversa interminável sobre crochê, bordado e todo tipo de artesanato feminino produzido nesses cantos das Minas Gerais. É realmente impressionante o tanto que a Mariazinha se transforma em frente a um volante. Parece a personificação do Pateta num hilário desenho em que ele entra no carro e se transforma completamente de um cara pacífico a um rapaz completamente malvado e fugaz. E é nesse momento que ela gosta de afogar suas mágoas (o Danilo bem conhece, né?). Dessa vez, ela nos contou sobre como o pai dela a ajudou a fugir de casa e ir parar num convento, para que depois ela conhecesse a cidade ao som de Elvis Presley (?).
Paramos na vó do Marcelo (que tem complexo de ser chamada de "vó") e depois fomos procurar a tal quadra onde aconteceria a partida histórica entre RCTFormiga e RCTPains. Encontramos a casa do [RCT]Gustavo para, só depois, descobrirmos que o local do jogo era no lugar mais distante de Pains (#fail). Resolvemos ir à pé e no meio do caminho encontramos alguns rapazes perfazendo o mesmo percurso. Foi aí que eu, com a minha falta de vergonha adquirida partir de um pouco insanidade, gritei: "Oh Rotaract!". Não deu outra, aqueles três rapazes que andavam solitários eram mesmo rotaractianos. Eles se encarregaram de nos levar até o local da festa partida e no meio do caminho apareceu um rotactiano motorizado para nos dar carona. Como não cabíamos no carro, eles se encarregaram de levar a mulher que nos acompanhava e para que ela não fosse sozinha com pessoas desconhecidas como eu não sou idiota, peguei carona também alegando que precisava acompanhar a Paty.
Chegando lá, aumentei meu nível de xp com o povo do IC. Eles realmente são muito massa e me fazem querer ter uns cinco anos a menos pra andar com eles sem sentir depressão. E então tivemos a partida. Dizem que eu fui um bom goleiro, mas sei lá! Eu só fiz o que eu sei fazer, nem sou tão foda assim. Curtir o início da festa pra mim já foi suficiente. Queria até ter ficado mais para dançar mais tectonik, mas algo em Formiga me esperava... e eu nem sabia.
Na volta, consegui convencer a Mariazinha a nos levar pro Magueirão no domingo (na verdade, a minha intenção era que ela me levasse a Furnastur para que eu visitasse e conhecesse a casa da minha chefe, a Marina, mas isso é algo que pode esperar um pouco mais) e ela acabou nos levando ao ABC para fazer compras. Enquanto ela e a Patrícia procuravam ingredientes para fazer um macarrão supimpa, eu, Léo e Marcelo ficamos conversando coisas que a gente sempre começa, nunca termina e nem convém falar. Pretendia terminar a noite na casa da Mariazinha, mas Dona sei lá o que (desculpa, Paty) não nos permitiu. E assim voltei para casa pra passar o resto da noite sozinho... Sozinho uma ova! Fui pra Praça na hora que comecei com esses pensamentos depressive boys.
Por ironia do destino (ou não), o único que lá estava era o Glória. Ficamos conversando um bom tempo sobre coisas completamente banais, mas peculiares e eu pude perceber o quanto Deus realmente é uma coisa muito foda e inexplicável. Mesmo sem eu ter lhe respondido aquele scrap de segunda-feira passada, nem aquela mensagem enviada naquele mesmo dia bem cedo, ela apareceu. Foi interessante passear abraçados na beira do rio pra tentar conter o frio que ela sentia. Foi maravilhoso encontrá-la na Igreja Matriz no dia seguinte para assistirmos uma missa na qual o Pedro que mora logo ali era coroinha. Foi uma pena não poder levá-la para o Mangueirão conoscoara compartilhar aquele churrasco/macarrão supremo da Mariazinha, mas foi bom tê-la encontrado à noite e perder o espetáculo de Mordor no Cristo só para podermos ficar juntos. Foi tenso ter de ficar na Skirk Land segunda, levar uma meninada pra casa do Dança e não poder ficar pra tomar cerveja e jogar poker (sim, por mais que eu diga o contrário, eu queria sim participar dessa vibe). Mas terminar o fim de semana ao seu lado, uma semana antes de eu me tornar 5 anos mais velho que você, me fez muito bem.
Agora, escutando os álbuns do Vinicius de Morais que o Gabriel me passou na semana passada, penso que você bem que podia me aparecer nesses mesmos lugares que me fazem feliz mesmo sem a tua presença, para que eu possa curtir essa doce boemia sem razão de ser e compartilhar mais do que 40% dos escritos do Lalinho, do Dança e do Téia. E sem ter a vontade de me perguntar quando chegar a noite: "Onde anda você?".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu sei

Vou comentar coisas cotidianas que muitos leitores desejam saber, ou que muitos vão ler só porque o meu último post era viajado e este não é, logo eu tenho muito a falar. Pois bem, não vou seguir a formatação do Thlls ou do Lalinho, mas sim a minha própria, que é o texto corrido, maçante e chato de ser lido. Dane-se.
Semana passada fui visitar o Fill. Mais triste do que ver a cara dele, a fisionomia magra ou a singela e solitária lágrima que ele derramou quando me viu, foi ver a cara da mãe dele, após o período de visitas. Todos os dias penso no que acontece dentro da cabeça desta mulher. Ela deve se lembrar de todas as surras e todas as restrições que ela impôs durante a vida daquele garoto e que o fizeram ter vontade de experimentar um mundo que não era o dela, ou o que ela queria que tivesse. Talvez ela pense que poderia ter evitado, não sei, mas é uma fisionomia completamente inversa à do filho mais novo, que, no auge da sua "narutisse", se diverte chupando um simples picolé no colo do pai, sentado na porta do hospital...
Faltam 9 doadores para repor o estoque de sangue que o Fill precisou no hospital e eu sinto muito, mas não vou doar o meu sangue somente porque o meu sobrinho precisou/precisa. Já fiz isto esse ano, não gostei da experiência, confesso, e não estou afim de repetir nessa situação definitivamente. E pra quem pensar que eu não tenho coração ao dizer isso, eu falo: eu tenho coração sim, porra! É muito ruim sentar numa cadeira de doação, pensar que você só está fazendo aquilo pelo seu sobrinho e lembrar da penosa situação em que ele se encontra no hospital.
"Ah, Tchô, você está sendo pessimista, para", qualquer um que lesse isso aqui, pensaria isso, menos o Matheus Lagoa. Jamais vou esquecer dele comentando que às vezes é melhor a gente ser pessimista e ficar surpreso com o bom resultado do que esperar pelo bom resultado e ficar surpreso pelo mal resultado. Isso é viver de ilusão e ilusões eu deixo apenas para assuntos do coração, porque, nesse caso, é algo que faz, de certa forma, bem mesmo quando dá errado. É, é bem difícil explicar mesmo, eu sei.
Nessas horas, me dá uma enorme saudade da minha irmã Adriana e das vezes que eu chegava do trabalho e deitava nosofazinho xadrez que ficava no quarto dela pra contar as maravilhas/merdas que haviam acontecido naquele dia e etc. Nessa hora me dá uma vontade súbita de pegar um táxi, parar no aeroporto e pedir uma passagem que me leve, nesses termos, "para junto da Adriana", mas o´que me resta é simplesmente comprar uma passagem rodoviária para Formiga e viajar até a casa da minha mãe, onde agora, também o meu pai me espera nos fins de semana. É uma realidade bastante diferente, confesso, me faz me sentir mal de alguma forma, mas isso já é assunto pra outro post, porque nesse caso, é uma coisa que eu não sei.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ampulheta

O tempo vem correndo desta forma, lentamente passando pelo orifício de nossos olhos. Eu gostaria que ele continuasse correndo assim dessa maneira, sem pressa. Sem que eu possa notar nada, nem mesmo a liberdade que tanto busquei incessantemente. Você pode criar, destruir ou fazer correções e estará tudo terminado, é só ter paciência. Isso já basta.
Ontem fui acusado de ser um "homem impaciente". Discordo. Não, concordo. Confesso que não tenho "saco" (com perdão da expressão de baixo calão) para muitas coisas, mas é que o tempo me ensinou a ser prático. Faço o que me deixa bem e acabo com as coisas no momento em que elas passam a me fazer mal. Por enquanto, posso dizer que meus projetos pessoais estão indo muito bem e isso me deixa muito feliz.
O mais feliz disso tudo não é simplesmente ganhar dinheiro ou ver as cifras na minha conta bancária aumentarem, e sim ver os sorrisos abertos no rosto das pessoas que passaram a existir graças ao seu "ímpeto", "iniciativa" ou "vínculo com a vida". Esse é um poder mais forte que o de qualquer pokémon, que, diferente de causar dano ou recuperar vidas, gera uma ligação que faz bem ao corpo e à alma.
Semanas atrás, minha superior disse que o marido dela comprara um barco para passear no Lago de Furnas dizendo que seria "o último desejo" dele. Tudo isso aos 60 e poucos anos. Agora, ele gostou tanto do barco que já quer uma embarcação melhor. As coisas são assim, sabemos desde o início que nossos desejos são sempre sem fim. O verdadeiro amor pelas coisas não está à venda e por mais que ele seja difícil de encontrar, todos nós sabemos que ele está no nosso coração.
Sei que milagres não acontecem, mas as respostas surgem sempre de uma ampulheta. E é bem mais belo observar a areia escorrer lentamente de um orifício a outro do que prender os olhos no ponteiro que gira cautelosamente no relógio. Sempre fiquei admirado com aquele joguinho da Grow que eu nem me lembro o nome (acho que era o Imagem e Ação mesmo) que tinha uma ampulheta que registrava cronometricamente 30 segundos. A gente duvidava mais de uma vez, mas todas as vezes que a gente tentava medir o tempo daquela singela ampulheta azul, o cronômetro não falhava: 30 segundos exatos.
É essa precisão que eu procuro. E vou esperar, seja os 30 segundos da ampulheta ou os 60 anos daquele senhor. Vou esperar até que a outra parte do meu paraíso inventado se complete. Posso, criar ou destruir na hora que convier, basta manter o fôlego e a calma. Se isso não é ter paciência, (viu Mariwonde?) então eu não sei o que é.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Spiral Arco-Íris


É impressionante como uma coisinha tão boba pode alegrar um ambiente e trazer tanta tranquilidade para a alma. Ela enfeita maravilhosamente o meu lar e eu nem paguei baratinho no mercado por ela, ganhei de uma pessoa muito especial. Sequer pensei em colocar no quarto ao lado, tampouco em frente a janela para deixar a vizinhança mais bela. Podia pendurá-lo no meio da rua, mas sei lá, isso é uma coisa tão minha e sua.
Todos os dias penso que não era preciso se incomodar com um presente desses pra me agradar, mas ficou bonito, ficou bem legal e assim ele levanta o meu astral. Achei uma beleza este trabalho artesanal, não é de camelo e não me deixa mal. Olho para ele e lembro tudo isso, aí esqueço do tempo e dos meus compromissos.
Às vezes paro pra pensar dezenas de filosofias sobre o negócio, tipo, que cada papel colorido representa um fato da nossa vida aih da forma que o negócio foi feito, um papel sustenta o outro da mesma forma que um fato dá sequência em outro na nossa vida. Mas aí eu paro e penso: cara, ISSO É SÓ UM MONTE DE PEDAÇO DE PAPEL COLORIDO! E é mesmo, mas sei lá, pra mim isso representa tanto e eu gostei tanto de ter ganhado isso, que me deu vontade de compartilhar com os leitores do meu blog. Tá, eu sei que isso não vai mudar o fato de que o negócio É SÓ UM MONTE DE PEDAÇO DE PAPEL COLORIDO, mas ele alegrou ainda mais a minha vida num momento que eu estava precisando de verdade. Obrigado, Paty-chan!

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Momento "Vou imitar o blog do Thlls"

Rota escura, todo mundo quer uma
Rota escura, todo mundo precisa de uma
Oh meu Deus, Oh meu Deus, Oh meu Deus, Oh meu Deus
Oh meu Deus, Oh seu Deus, Oh Deus dele, Oh Deus dela
É o Deus de todo mundo, é o Deus de todo mundo, é o Deus de todo mundo, é o Deus de todo mundo
Os mundos se chocam, mas o que todos nós queremos é uma rota escura
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Momento "Vou imitar o (inativo) blog do Fuca"

Coloquei uma carta numa velha garrafa. E daí?
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E pra quem pensar que eu escrevi esse post com coisas da minha cabeça, escute a música Spiral Arco-íris do Superguidis que você vai descobrir de onde eu tirei inspiração pra escrever essa porcaria.